Dei-me conta que publiquei este texto 12 anos e 1 mês antes destes momentos voltarem a fazer parte de um tempo de lazer diário.
“(...) A Imagem só pode entrar na corrente da consciência se for ela própria síntese e não elemento. Não há, não pode haver imagens dentro da consciência. Mas a imagem é um certo tipo de consciência. A imagem é um acto e não uma coisa. A imagem é consciência de alguma coisa.” in "A Imaginação" de Jean-Paul Sartre
domingo, 14 de julho de 2019
terça-feira, 9 de julho de 2019
"O outro partiu, e ele ficou a relembrar a doçura do conselho, a encostar todas as chagas à suavidade daquela ternura" in Novos Contos da Montanha de Miguel Torga
Depois dos Contos da Montanha, enquanto viajo de comboio nesta nova rotina. Colocar a leitura em dia com um autor que me tira dali para a rudeza das personagens em aldeias remotas, cheias da natureza que as cerca, belas e brutas, despidas perante esta que sou ávida daquelas almas em que às vezes descanso a complexidade dos meus próprios sentimentos
segunda-feira, 17 de junho de 2019
Há um ano começava assim o dia. A partir de Braga de seta amarela em seta amarela a concretizar esse desejo de me pôr a caminho. A confiança nas pernas foi atraiçoada pelas dores e bolhas nos pés. Doíam-me até a alma. Sete dias sempre em dor, tudo latejava mesmo quando parava. Os tempos de descanso não foram inspiradores dessa introspecção romanticamente, antes uma meditação focada em encontrar a posição mais confortável para recuperar para o dia seguinte. Ficar quieta a observar os outros, aprender desta observação, por partilha em alguns momentos convívio e outras partilhar com o olhar ou o sorriso o respeito pelo caminho e bolhas de cada um.
Vivo numa cidade que faz parte de um caminho e hoje, quase um mês depois de ter outra rotina pela manhã, sendo pouco mais de sete horas da manhã encontrei três peregrinos de Santiago. Deu-me aquele aperto, e com os minutos contados para apanhar o comboio desejei-lhes no silêncio das lagrimas "Bom Caminho". Com ou sem pedras, com ou sem bolhas, por etapas chegar a cada destino e conquistar no destino maior este espaço no peito que pertence a cada um e que nos conecta para sempre a todos. Revermo-nos na importância de Ser(mos).
sábado, 15 de junho de 2019
Sábado de manhã...
Neste regresso a casa a tempo inteiro, regressar a como se sabiam verdadeiramente estes momentos.
Pequeno almoço sentada na sala de estar, sem pensar que depois de amanhã já não é assim.
Em 1996 faziam bom calçado. As mal amadas all star sem cano, hoje são como o vestidinho preto.
sexta-feira, 14 de junho de 2019
quinta-feira, 13 de junho de 2019
Num repente decidi sair de casa, só depois de estar pronta é
que me lembrei de ver as horas, afinal tinha acordado às 7h30 e desde então não
tinha voltado a olhar para o relógio. Suspirei de um alívio momentâneo pois
alguns dos locais onde pretendia ir já estariam abertos. O sol espreitava pelas
janelas e não coloquei em causa a roupa que escolhi para sair. Uns metros
depois, deslocando-me a pé rumo ao primeiro destino dei por mim a constatar que
se calhar tinha saído “à fresca” e no instante seguinte resolvi apreciar a
brisa que fazia rodopiar a blusa, qual Marilyn Monroe na mítica foto sobre as
grades do metro e foi neste espírito que segui pela cidade a riscar tarefas da
minha lista. Porque foi feriado em Lisboa pude passar o dia em casa a desfrutar
do movimento da minha pequena cidade. Cumprimentei conhecidos, que me acenaram
de forma energética e feliz. Entre tarefas sentei-me num café com cheiro a pão fresco
a beber um galão e a comer um bolo como se não tivesse já tomado o pequeno-almoço.
Saborear sobretudo aquele momento e reviver da vidraça o passeio onde anos a
fio passei rumando a uma escola e outra. Antes de me devolver a casa, resolvi
de senhorita entrar numa loja só para distrair a vista e eis que a funcionária
resolveu perguntar pela minha mãe. Há muito que não a via mas não se sentia à
vontade para perguntar. Não só respondi, como me expus, e nos expusemos das
experiencias equivalentes. A funcionária sabia o meu nome porque a minha mãe
dizia com frequência “tenho de trazer cá a minha Ana”. Agora sou eu que respiro
melhor neste regresso a casa, talvez por isso mesmo porque a levo sempre mais
presente na memória do quanto andávamos juntas e gostávamos de circular nesta
cidade, como a brisa leve e fresca que hoje me acompanhou.
domingo, 9 de junho de 2019
Aprende que tudo o que te toca faz parte de ti, mesmo o que consideras repulsivo.
Desafio-te a amar todos os aspectos do teu Ser, isso faz com que estejas num processo contínuo de renascimento. Deixa que a tua história aconteça e faz questão de estar presente. Como o fazes? Rindo, limpando as tuas lágrimas, expressando alegria, tristeza, mas sobretudo o grande sentido de gratidão de valorizar o Caminho!!.
Nooderv kaur
sexta-feira, 10 de maio de 2019
Não me vou deitar sem antes me lembrar que passou um ano sobre um fim de tarde em que me desorientei numa corrida no campo. Perdi-me muito onde era suposto sentir-me bem. Regressei com uma calma que me veio dos nervos de perceber que se assim não fosse não sairia dali às voltas. Orientei-me pelo sol e depois pelo som que me trazia o vento. Mais do que voltar a entrar em casa, entrei noutra dimensão da minha vida. E desde então o coração nunca mais foi o mesmo. Bateu mais, chorou outro tanto. Algures cá dentro, no meu porto seguro, ou que às vezes me segura, celebro o tanto que também sorri neste meu lugar.
sábado, 4 de maio de 2019
Sábado de manhã
Hoje, à hora em que faziam 8 anos sobre o telefonema que me atirou para a sensação desconhecida do "já não haver nada a fazer", cruzei-me com a D. Adélia, minha vizinha. .
Às 8h50 ia arrancar mais duas linhas das suas batatas. Há três dias ao final da tarde mostrava-me como fazia para as arrancar sem estragar, "hoje já lhe ensinei como se arrancam as batatas e expliquei como semeei" dizia-me. Não se vê bem mas atrás dela está a moleta arrumada, substituída pela enxada e pela energia dos seus lucidos 85 anos. Hoje, como naquela outra conversa, em que me vieram as lágrimas, desejou-me uma vida feliz como a dela, retirando apenas a unica coisa triste que lhe aconteceu, repetiu olhando-me nos olhos... Tem pena que me vá embora mas confia que vou para estar melhor.
Tenho de fazer conta aos anos que me marcam e espantar-me deste numero. Continuo a ter horas em que me esqueço e sinto o impulso de contar qualquer coisa à minha mãe. E têm sido tantos, cada vez que a ansiedade dispara neste ciclo que se encerra e outro, menos incerto, se inicia.
Hoje, a D. Adélia foi luz sobre o dia das memórias difíceis, foi a força que me susteve deste silêncio, foi o sentimento incondicional de nos queremos bem. Foi a voz da força do amor incondicional da minha mãe.
Grata
quarta-feira, 1 de maio de 2019
Imagine every where was free to roam
Imagine if the trees could tell us where to go
Imagine that the sun could fill each lonely heart
Imagine confrontation never got a start
Imagine things will were always crystal clear
Imagine if the mind never interfered
Imagine we could fly with broken wings
Imagine if the heart could shed its skin
Please patience please patience please Im creating a dream
Please patience please patience please Im creating a dream...
Imagine if the trees could tell us where to go
Imagine that the sun could fill each lonely heart
Imagine confrontation never got a start
Imagine things will were always crystal clear
Imagine if the mind never interfered
Imagine we could fly with broken wings
Imagine if the heart could shed its skin
Please patience please patience please Im creating a dream
Please patience please patience please Im creating a dream...
"Creating a Dream" de Xavier Rudd
quinta-feira, 28 de março de 2019
Ainda não tinha saído carro acabado de estacionar e já estava a avistar este amarelo sol à entrada de casa. Um vaso oferecido pela minha senhoria da casa-de-semana, que ela "já viu que gosto de plantas" .
E gosto. Bem hajam na minha vida por me equilibrarem com o seu verde. Adormeci e acordei uma infância, uma adolescência e uma adulta a observar as suas silhuetas. Há uma espada de S. Jorge da minha idade que me recebia todos os dias à entrada de casa. Tem uma espada maior que eu e três filhos na minha-casa. Por vezes observo-a e descanso o olhar numa companheira silenciosa de jornada.
feels like what it is, a gift...
terça-feira, 19 de março de 2019
1.Cara de pai que vai deixar a filha à estação de comboios para depois ela seguir de Braga a pé para Santiago de Compostela (sozinha)
2. Pai 8 dias depois ao ir buscar a filha à estação dos autocarros de Braga em noite de São João! ("dá cá o martelo para eu te mostrar como se faz!" )
segunda-feira, 18 de março de 2019
sábado, 16 de março de 2019
sábado, 2 de fevereiro de 2019
domingo, 30 de dezembro de 2018
Há quanto tempo não vivia assim para os livros ou para a leitura. Rendida ou resgatada pelas palavras que contam histórias do que me vai dentro, de dentro para fora e vice versa. Horas mergulhada nesse vai e vem que se espelha nas entrelinhas. Deleitar-me com as personagens ou com o autor. Subtilezas que me navegam nas horas como se fosse uma bússola entregue ao prazer de andar à deriva...
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