terça-feira, 27 de outubro de 2026


Na quinta-feira mais uma vez dei por mim a tentar comprar o livro em segunda mão “Just Kids” da Patti Smith mas ainda assim não achei que o valor justificasse numa altura onde existem outras prioridades.
Mas alimentar a alma deve ser também ela uma prioridade. 
Na sexta-feira enquanto não me decidi o algoritmo cruzou-me gratuitamente com um vídeo da Patti Smith a cantar o “people have the power” para uma plateia que a brindou numa sincronização vocal que a emocionou. Emocionada também eu partilhei o vídeo em loop com a minha miúda de 4 anos e ainda tentei que ela aprende-se o refrão com direito a tradução. “As pessoas têm o poder”, quando disse isto em português avivaram-se as lutas políticas dos últimos dias e não era com isso que a queria inspirar. Não ainda. Queria sensibiliza-la para descobrir esse  poder que vive cá dentro e de como o pode usar a favor do bem. 
No sábado soube que o Hugo teria deixado esta estranha forma de vida. E desde então tenho reflectido de várias perspectivas  com muitos “ses” à mistura. Uma recordação recorrente veio envolta da ironia da vida, recordei-me de quando literalmente na viagem a caminho da viagem de finalistas do 12ano (1997) saí do meu banco do autocarro, que nem me recordo qual era nem com quem o partilhava, para me sentar no banco de trás, fiquei ao lado do Hugo e perguntei o que estava ele a escutar no seu walkman. Ele passou-me os phones e eu fiquei encantada. Acho que me lembro do seu espanto por eu não reconhecer o que estava a ouvir mas não me melindrou e emprestou-me a cassete por meses, uma cassete piratiada, com uma capa feita de cartolina  azul petróleo esbatido com o nome do álbum datilografado a máquina de escrever  a preto e vermelho, dizia Horses - 1975 - Patti Smith. Caramba há grandes coincidências não é?
Hoje terça-feira 27/10/2026 eu, não melómana, é com música, com Patti Smith que quero prestar a minha homenagem. Tenho pena de nunca lhe ter contado que muitas foram as vezes que ouvi Patti Smith e me recordei dele, de como aquela cassete teve o poder de multiplicar tantas formas de me alimentar a alma ao longo do tempo. 
Que um “people have the power” encontre sempre em nós o seu lugar para prosperar.
O sentimento com que observo este desfecho, questionando de como veio aqui parar, mesmo na incompreensão, mesmo na impossibilidade  de aceitar a realidade, que esse sentimento serene. Serene com esse poder de memórias feito com o que de bom me liga ao Hugo Rodrigues e que perpetue o olhar de “just kids” que já tive… e ainda cuido de ter.

Depois de escrever este texto fui a casa do meu pai. Fui à gaveta onde costumava guardar as cassetes e não encontrei mas estranhei que a gaveta estava mais vazia. O meu pai explicou-me onde na garagem podia encontrar mais cassetes guardadas e para meu grande espanto lá estava ela. 

domingo, 27 de setembro de 2026

- Elisa como fizeste isso
- hum ... fiz da minha forma, vi ao espelho

Antes andava eu a fazer coisas pela casa e vi-a e ouvi-a a dar corridinhas pela casa entre a cozinha (onde estava a desenhar) e o quarto (espelho do quarto)
Wow estou em choque....🩷

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

O que mais importa 


O que mais importa não cabe no bolsoNão posa em vitrine, não busca medalhaImporta o gesto pequenoA paz do retorno, o cheguei no portãoE o sorriso que abraça de tão sincero que é
Importa honrar quem nos fez caminhoOs passos dos pais, as palavras guardadasA luz que acende no peito, um mapa de casaE um sopro de graça na alma cansada
E quando tudo pesa, é no silêncio de dentroQue eu encontro meu norte e respiro de novo
O que mais importa é simplesÉ chama que nunca apagaÉ dar mais do que receberÉ repartir o que se carrega
É amar sem medidaÉ cuidar de quem nos entrega a vidaO que mais importa, meu irmãoÉ o amor que a gente semeiaNo chão do coração
Importa chegar cedo e fazer seu filho dormirOuvir o riso que costura um dia partidoImporta somar, dividir o abrigoSeguir adiante com alguém que caminha contigoImporta abraçar sem pressa, olhar inteiro sem fugaDar atenção que devolve o sentido da vida
E quando tudo pesa, é no silêncio de dentroQue eu encontro meu norte e respiro de novo
O que mais importa é simplesÉ chama que nunca apagaÉ dar mais do que receberÉ repartir o que se carrega
É amar sem medidaÉ cuidar de quem nos entrega a vidaO que mais importa, meu irmãoÉ o amor que a gente semeiaNo chão do coração

De ela cria músicas

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Hoje tirei esta foto à porta das piscinas municipais para memória futura do dia em que a Elisa foi pela primeira vez para a piscina sozinha, ou seja, sem mim lá a segurar, assegurar e tomar conta o tempo inteiro. Estava com pena, com medo e expectante. Fui deixá-la junto do professor e fui lá para cima observar. Sorri, gesticulei, chorei, disse adeus, fiz gestos de reforço positivo, suspendi a respiração, senti que conhecia profundamente esta menina e a forma como ela olha o mundo, senti que estava também a libertá-la mais um pouco neste mesmo mundo e ela seguiria mais um pouco pelo trilho desconhecido. Seguimos as duas. Presenciei um momento fantástico, lindo e único, vê-la a gerir os seus medos e os seus ímpetos. Seguiu ora sorridente, ora observadora, ora afoita. Minha munina linda. Gigante por dentro, corajosa, meu amor foi um privilégio assistir como atravessaste aqueles minutos. Quantos pensamentos e batimentos passaram por esse corpinho. Todos os dias têm disto, mas hoje foi particularmente intenso para as duas. Amo-te muito, muito, tudo. Da mãe Ana. 

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Por aqui estão a ser vários fins, fim de mais um ano, cujas diferenças são notórias na desenvoltura pequenina de aproveitar a vida. Fim da piscina acompanhada comigo a recordar como tudo começou num abraço que durava a aula inteira e agora já só agarrava para acudir. Saudade. Fim do ballet com apresentação de um espetáculo com o qual eu não contava e vê-la inserida neste circuito a viver esta experiência fez-me olhar noutra perspectiva para o desgaste que estava a ser a rotina das actividades.

quarta-feira, 15 de abril de 2026


Ouvi há pouco uma partilha do David Fonseca, músico, sobre a avó, falou sobre uma jovialidade, de como era "uma criança presa num corpo envelhecido". Contou uma história em particular, que no momento em que contou eu até senti que a história tinha ficado aquém das minhas expectativas e esforcei-me por retirar dali a expressão que ele havia partilhado.

Minutos mais tarde fui almoçar e já quando arrumava a loiça na máquina, dei por mim a pensar na velhice e surgiu-me esta frase como se fosse uma quote escrita sobre um fundo bonito. 

"é preciso ser um velho com caráter para ser sábio sem ser matreiro"

E depois deste pensamento surgiu-me a imagem da avó do David no meio das suas seis grandes malas e pensei "é isto que eu quero para mim", até me fez sentido aquele conceito de manifestar o futuro e fui  por aí fora, até aquela velhinha no meio das seis malas a aguardar pelo meu neto para seguir a minha jornada. 

Nunca como agora o ato de manifestar para o futuro me fez tanto sentido.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025


"eu gosto da chuva que ela é linda e faz poças para mim"
Elisa
05.12.2025

sexta-feira, 30 de maio de 2025

 




Miles Davis 'Man, sometimes it takes you a long time to sound like yourself.'


domingo, 20 de abril de 2025