se já antes parava pouco tempo no sofá, agora muito menos... mas ontem calhei a ligar a televisão e a sentar-me a tempo de escutar isto...
“(...) A Imagem só pode entrar na corrente da consciência se for ela própria síntese e não elemento. Não há, não pode haver imagens dentro da consciência. Mas a imagem é um certo tipo de consciência. A imagem é um acto e não uma coisa. A imagem é consciência de alguma coisa.” in "A Imaginação" de Jean-Paul Sartre
domingo, 16 de agosto de 2015
sábado, 15 de agosto de 2015
depois de comermos a meias 2 sundaes de caramelo e morango, diz a minha avó ao olhar para o fundo do copo do de caramelo:
- então não comes aquele restinho de caramelo?!
eu: nop, não quero mais doce...
avó: ... tens que ir lá perguntar ao senhores se têm alguma coisa amarga para comeres...
só passado um minuto é que percebi a piada... ou é a minha avó está muito espirituosa ou sou eu que estou muito cansada!!
quarta-feira, 29 de julho de 2015
modernices...
hoje por volta da meia-noite comecei a conversar com uma amiga ao telemóvel. coincidiu no inicio por um pedido de desculpas, devido ao facto do barulho de fundo de ambas ser o de termos loiça para lavar... e prosseguimos, ela enquanto lava o chão da cozinha e eu enquanto dobrava roupa lavada...
quarta-feira, 22 de julho de 2015
terça-feira, 21 de julho de 2015
domingo, 19 de julho de 2015
parar para apanhar e comer as primeiras amoras do ano. Aquelas que trazem sempre as mesmas memórias. Das que apanhamos juntas até às primeiras que apanhei sozinha. É nesse misto de saudade de nós que paro, apanho e como. Ali não tive pressa, demorei-me até ficar com a boca cheia e provavelmente preta. Não te faço caretas para que sorríamos dos meus disparates. Fingi que já não tenho idade para isso e deixei-me estar até ficar novamente com a boca cheia e provavelmente preta...
sábado, 18 de julho de 2015
sexta-feira, 17 de julho de 2015
terça-feira, 14 de julho de 2015
segunda-feira, 6 de julho de 2015
fim de semana parte II
depois de chegarmos de Setúbal, despedi-me da SV com um até já.
4 horas de sono foi tudo aquilo de que dispusemos para iniciar uma nova etapa. Às 6h30 já nos cumprimentavamos com um Bom dia! A nós juntou-se outro colega de equipa AC e seguimos rumo, desta feita para Mação. Há um ano tinha participado no primeiro evento do Trail das Zagaias e resolvi desafiar a SV a repetir o "passeio" comigo. Mais uma experiência daquelas a juntar às agradáveis surpresas que não me importo de repetir. A introdução da prova do dia anterior fez com que tivéssemos decidido trocar o trail grande pelo pequeno. Sendo que não estávamos muito certas desta decisão, conspirávamos prós e contras das hipóteses em aberto.
À semelhança da Lousã ao entrar em Mação senti a agradável sensação de já conhecer alguns cantos à casa, pelo menos aqueles que nos conduzem ao ponto de encontro dos atletas e do melhor sitio para estacionar o carro. Fomos levantar os dorsais e conspirar mais um pouco na prova que queríamos fazer. Na verdade queríamos os 30km mas a incerteza do calor e algum cansaço acumulado do dia anterior fazia-nos pensar que o melhor seriam os 17km. No entanto a SV esperava que eu dissesse as palavras mágicas: Bora lá à grande mas eu contive-me muito e joguei pelo seguro, pelos 17km que garantiam uma chegada menos massacrada pelo tempo de prova. O ambiente era caseiro, os atletas poucos e algumas caras já conhecidas. Partimos a subir pela estrada de alcatrão e entretanto virámos para dentro das tão desejadas serras. Como já é nosso apanágio aproveitamos para falar desta vida e do que nos move ou moveu. Bem marcado o percurso permitiu-nos seguir em segurança no trajecto que era suposto. Houve um engano, tudo porque achamos por bem saltar um obstáculo, que na verdade estava ali para nos impedir de continuar em frente, mais obstáculo menos obstáculo, já ninguém liga, o espírito é superar...
O calor foi bem menos do que esperavamos, o que para mim foi óptimo porque me permite apreciar bem melhor o tempo que por ali ando, mesmo que agora um pouco a toque de caixa da SV, que quer ir sempre a rolar e eu a querer levantar os olhos do chão para aquilo que ali me leva, a paisagem. Não sei fazer as duas coisas ao mesmo tempo depressa e bem. Percursos de vegetação diversa, entre pinhais e eucaliptais, estradões e desvios para singletracks e a passagem mais esperada, a da ribeira. Repeti a prova mas não a maior parte dos caminhos e desta foi a vez da ribeira do Quadouro, mais uma daquelas onde creio estarem elfos escondidos para observar o nosso encantamento em molhar os pés e caminhar dentro de água. Os elfos não combinam com o campo de girassóis mas este combina bem com tudo o que ali queremos levar na memória. A passagem por uma aldeia à hora da saída da missa deu direito a audiência e saudações bem vindas de almas cujos os olhos sorriem de ver gente doida (nós...).
Na aproximação à meta os meus pés começaram a ressentir-se e dei a opção pela pequena distância por ganha. Chegamos a tempo de termos energia para nos rirmos e seguirmos descontraídas para o banho que antecedia o já esperado almoço.
O almoço, no sitio do costume, superou as expectativas do costume e igualou aquilo a que uma vez já me tinha acostumado. A simpatia de quem serve e a qualidade do que serve. Entradas, sopa, prato e sobremesa bem bons e a descontraída entrega de prémios a dar a festa por terminada. Palmas para os outros e para nós que nos estavamos a divertir desde que ali chegámos.
Na hora de regressar a casa ainda mergulhamos mais um pouco na paisagem, de uma placa que nos havia de desviar para o caminho certo de um dia super bem passado!
Foi bom o feedback positivo da SV, nada como partilhar um bom dia com uma boa amiga, com um nível de loucura semelhante ao nosso ;)
Parece que ficamos com o 4º e 5º lugar e se desta não trouxe nem chouriços nem cacareco, trouxe um prémio com que não contava na passagem pela ribeira. Um banho ganho a custo de uma escorregadela que me fez cair de frente na agua. O susto de segundos converteu-se em risada e roupa fresca no regresso ao estradão.
Das marcas boas que ficam até as das silvas nas pernas me parecem bem enquadradas...
Trail das Zagaias
Tempo 02:34:08
Classific:ção geral: 23ª/31 (se fosse ha uns anos o que eu acharia graça a esta classificação...)
Classificação classe feminina:
Classificação de divertimento: 5*
Trail das Zagaias
Tempo 02:34:08
Classific:ção geral: 23ª/31 (se fosse ha uns anos o que eu acharia graça a esta classificação...)
Classificação classe feminina:
Classificação de divertimento: 5*
domingo, 5 de julho de 2015
Para este fim de semana estava programada uma loucura em que me meti logo na segunda feira.
o DS. insistiu até ao fechar as inscrições para uma prova, que o acompanhassemos. Eu, com aquela teimosia que não me conhecem lá fui dizendo que não queria e contra-argumentei tudo e mais alguma coisa, até o contra o coitado do choco-frito. Entretanto negociava com amiga SV esta programação inesperada num fds que já contava com a intenção de realizar um trail de 30km. No ultimo minuto tivemos a ideia luminosa de tentar fazer as duas coisas e dizemos-lhe que sim.
Sábado - 21h00 - 10km da Marginal do Rio Azul - Setúbal
Domingo - 08h30 - 17km do Trail das Zagaias - Mação
fim de semana parte I
O sábado de manhã acordou como gosto dele, um conciliador, entre o tempo de que preciso e a morosidade das tarefas.
Preparei a mochila grande com tudo o que necessitaria para o dia seguinte, a pequena com o essencial para a noite de sábado, e as demais tarefas de colocar alguma ordem na vida e na casa. Foi no tempo certo que saí de casa para me juntar aos amigos e seguirmos para Setúbal, a SV, o DS e PR entre risos conversas várias, expectativas muitas e queixumes diversos a desculpar eventualidades. Eu estava caminho de fazer uma coisa a que não ligo muito, sair para longe para correr 10km de estrada. Esperava alguma coisa e não esperava nada, pelo menos o que todos desejam, fazer um pouco melhor, "mas isto nunca se sabe" e no meu caso é sempre uma surpresa...
Entre ir levantar dorsais e encontrar o amigo que foi ao nosso encontro só para ver, mais uns dedos de conversa até nos chegarmos à partida. Ao sinal, arranquei à velocidade a que me sinto bem mas que não dura muito. Segui sozinha e cheia de calor. As rectas intermináveis já me cansavam mais do que a corrida. Digo adeus ao DS e à PR, que já vinham na volta do correio. Chego aos 5km, o ponto de retorno, cheia de sede valendo-me uma garrafa de água onde molhei a boca e deitei o resto por mim abaixo. Perante o novo estado de espírito temporário, passo a SV, aceno e falo já com algum alento. Sigo a gerir as rectas, os atletas que ainda me ultrapassavam enquanto me dizia: "dá o teu melhor que tão depressa não te metes noutra". Dizia-me mas não fazia muito caso, estava novamente demasiado indisposta para me dar ouvidos. Chegou a recta da meta e com ela aquela risca no chão que tão bem sabe atravessar. Encontrar os amigos e procurar pela SV para um ultimo reforço, foi desta vez a missão cumprida. A PR sabia ter sido a 4ª das mulheres e havendo troféu até à 10ª esperamos para que o recebesse. Entretanto especulavasse se eu não estaria também dentro desta classificação e eu inclinava-me mais para fora. Depois de ser chamada a 10ª, chamaram pelo nome e eu devo ter feito a mesma cara dos vencedores dos óscares, tinha ficado em 9º. Vivi assim o meu momento de glória ao subir para junto do pódio, onde fiquei até chegar a 1ª e ser-me dado o meu "cacareco". Que momento mais inesperado e bom. As vezes que eu disse que não queria estar ali, o que passei durante e prova e como lá de cima, enquanto observava quem nos batia palmas, pensava no braço que dei a torcer para estar ali e na ignorância que acompanhou a minha prestação numa prova que queria despachar. Havia um prémio ironicamente guardado para tudo isto!
Depois das fotos da praxe e porque aquela noite só podia durar ao limite de quem tinha o objectivo de acordar às 6h00 da manhã do dia seguinte, fomos a reabastecer calorias para longe o choco frito com que havíamos de ter comemorado. Em 4 amigos tínhamos alcançado 2 cararecos, a alegria da SV com o seu novo recorde pessoal e o amuo do DS com o seu estoiro. Agradecer a todos pela bela companhia e amizade e ao HR ter-nos aturado a euforia do antes e do após corrida, em que falamos incansavelmente do mesmo, corridas e tempos e por aí...
Agradecer também à policia municipal de Setúbal que mesmo não ajudando com indicações exactas, ajuda a dar outras risadas...
terça-feira, 30 de junho de 2015
Perguntou-me o meu pai se não passava por lá uma ultima vez…
Disse que sim pouco convicta da minha vontade. Fui de manhã cedo, abri a porta e assim que a fechei comecei a subir as escadas. Senti estranho aquele eco que não lhe conhecia. A casa onde vivi a maior parte da vida fazia eco à minha passagem. Parada no hall observei-a num misto de curiosidade e desconforto. Nunca a tinha visto assim, parecia mais pequena. Vazia. Tão cheia em mim de todas as memórias. Mais memórias. Mais exercício do desapego a que já conheço o ciclo. Entre a dor de fechar esta porta, sinto um alivio do novo capitulo que se abre. E a minha chave, essa, deixei-a do lado de dentro.
quinta-feira, 25 de junho de 2015
é um dia como os outros mas quis que fosse um pouco diferente. enviei a sms convite de manhã bem cedo enquanto adiantava as coisas para o final do dia. dividi com o pai a ementa e fui trabalhar. no regresso fui buscar a avó Maria, enquanto o pai chegava com a sua parte que juntando à minha deixou a mesa composta para os amigos que não tardaram a chegar. e chegaram trazendo o que faz mais sentido à minha vida, a sua presença. os mais antigos com a transparência com que me conhecem e aturam e os mais novos com a renovada confiança de que continuamos a encontrar pessoas especiais no nosso percurso.
o tempo não se compadece com a nossa vontade e a noite passou num instante que não terminou no apagar da vela improvisada, porque permanecerá a lembrança desta família que escolhi e escolho para mim.
domingo, 21 de junho de 2015
sábado, 20 de junho de 2015
sábado de manhã...
Sábado de manhã começou com aquele ritual de
nervoso miudinho de quem se prepara para mais uma corrida, ou melhor, mais um
trail. Um dos poucos que desejava voltar a fazer este ano, o Louzantrail. Fui
mais a amiga que desafiei, a SV. A girls day nas andanças das serras. A
motivação era sobretudo baseada no quanto me diverti e gostei do trail no
passado ano. A novidade era fazer mais uns km. Depois dos 17km agora seriam
25km. Mais quilometros mais vistas fantásticas. Chegamos a tempo de ver os
loucos dos 45km a partir. Dali a uma hora seriamos nós. Às tantas já estávamos
no controlo zero e a aproximarmo-nos da linha de partida. O sol já aquecia. Foi
bom voltar a passar pelo reboliço daquele jardim onde se concentram os atletas
à espera da sua vez. A conversa, as risadas de fundo, as fotos da praxe. Tudo
com a serra ali ao lado à nossa espera. Não tardou a ser dado o sinal de
partida e eu a sentir-me em casa. Entre o que já não me lembrava, haviam muitas
memórias claras de determinadas passagens. Sinto-me francamente bem ali. Não
terá sido isso que me fez sair a um ritmo mais lento, mas a verdade é que em
comparação com a minha amiga que estava com a genica toda, eu parecia estar
muito em baixo de forma. A semana que antecedeu não foi a mais favorável.
Noites mal dormidas naquela que foi porventura a semana do ano em que adoeci.
Diz a minha avó que as gripes de verão custam mais a passar, e é certo que não
me lembro delas no inverno. Apesar dos trilhos serem daqueles que me
conquistam, a boca aberta em que segui foi mais devido ao nariz que insistia em
entupir apesar de eu ir de lencinho na mão para repor alguma normalidade. O
percurso sofreu grandes alterações pelo que revivi as memórias mas numa sequência
desordenada em relação àquela que tinha retido. Desta vez o monólogo interior
foi repartido com conversa com a SV. Aproveitar para colocar alguns assuntos em
dia, mas não durante as subidas intermináveis, protegidas pela densa vegetação,
em que nunca senti vontade em olhar para baixo e de cada vez que olhava para
cima, só via mais subida. Depois de uma noite em que também tive caibras nas
pernas, os respectivos músculos começaram a doer durante uma das primeiras e mais
exigentes subidas. Eu já disse que não olhava para trás mas vi a vida a andar para
trás com dores musculares e um dedo do pé a torcer-se sozinho, coisa que nunca me acontece em prova. Na sequencia de ter verbalizado o que me estava a
acontecer recebi de outra atleta uma pastilha efervescente de electrólitos na
tentativa de me ajudar. Como entretanto
já tinha bebido a água toda a fazer conta com um abastecimento que se
aproximava de forma lenta, recorri ao método de pastilha debaixo da língua e lá
me fui entretendo com aquilo a fervilhar na boca, ao mesmo tempo que continuava
a caminhar por ali acima. Passar no meio das aldeias de xisto do Candal,
Catarredor, Vaqueirinho, Talasnal, Casal Novo, suspirar a imaginar
passar por ali uma temporada a descansar do reboliço dos dias. Parar nos
abastecimentos para repor calorias e hidratar bastante que o calor quebrava o
corpo. Os banquetes que nos esperavam faziam-nos demorar por ali no emaranhado
dos restantes atletas. Olhares cansados, olhares energéticos e sobretudo olhares
cúmplices, como aquele que encontrei num atleta de resolveu sentar-se junto a
um pequeno ribeiro ligeiramente desviado do caminho principal. Ali se sentou a
descansar e mais provavelmente a desfrutar. Eu e a minha amiga bem como outros
atletas precipitamo-nos todos para o minúsculo espaço e cada um como pode
lançou as mãos à água e refrescou-se. Eu ignorei deliberadamente a minha gripe
e lancei água sobre mim inclusive na cabeça que estava mesmo a precisar. Seguimos
pela vegetação diversa… gosto tanto de passar assim por entre as flores em
forma de cachinhos de sinos típicas do meu imaginário da floresta mágica. E duendes, de certeza que os há por ali!!
Olhar bem para o chão, todo o cuidado é pouco para não
entropeçar nalguma pedra ou tronco de ramo no meio dos caminhos. A SV estava com
queda para a coisa e eu com pouca vontade de me esbardalhar, que os estragos são
sempre carimbos para a vida.
No final serpentear novamente no ribeiro, onde quase tudo
começou. Desta vez sem a urgência da fila de atletas que nos pressionam a
atravessar o mais depressa possível, fazendo equilibrismo sobre as pedras que
ainda era cedo para molhar os pés, no final é equilibrar sobre as pedras do
fundo, molhar-nos tanto quanto possível, agachar-nos como quem toma banho num
alguidar (como expliquei à minha avó) e molhar-nos até à alma. Queimar os últimos
cartuchos de uma aventura que se aproxima do fim.
Ai a minha vida podia ser aquilo. A minha única urgência é demorar o suficiente para deixar que tudo se entranhe em mim de tal forma que tão depressa eu não me esqueça do quanto fui e sei ser feliz!
Ai a minha vida podia ser aquilo. A minha única urgência é demorar o suficiente para deixar que tudo se entranhe em mim de tal forma que tão depressa eu não me esqueça do quanto fui e sei ser feliz!
Foram 5h30 nesta vida ao longo de 26km (onde houve quilómetros a demorarem 20 minutos) e na companhia de uma amiga (incansável)
a viver tudo ali pela primeira vez.
Depois da meta e do banho fomos para a fila das massagens. Uma
espécie de SPA no jardim onde relaxamos ao mesmo tempo que víamos outros a
chegar à meta, os dos 53km… estes são os contrastes que não fazem mossa. Enquanto
isso, nós que já andávamos na boa vida, desencaminhávamos os amigos na terra
para um final de tarde de caracóis e uma noite de gelados a partilhar histórias.
Depois de tantos anos a sair de casa para correr sozinha uma das
melhores coisas que os grupos de corrida me trouxeram foi a diversidade de
pessoas que tenho o prazer de conhecer e que me fazem crescer nesta coisa das relações
humanas. A SV é a conhecida que passou a amiga e é tão bom encontrar amigos.
A paisagem compensa ao longo de todo o percurso o sofrimento em
que muitas vezes o corpo entra, mas não houve subida, gripe, cãimbra ou queda
que nos tenha tirado o entusiasmo de regressar…
quarta-feira, 17 de junho de 2015
Este é o relato de uma catadupa de atrasos sucessivos, provocados por pequenos nadas. De um respirar fundo, daqueles que coloca tudo no devido lugar. Num lugar onde a pressa não existe. Para depois cruzar-me com aquele anjo da guarda, daqueles que não sabem que o são. Das palavras espontâneas que tem e que o vento nunca leva. Carregadas da alma de um menino, no corpo de um Homem. Este é o relato de um momento magico que saiu a tempo de me provocar aquele sorriso.
domingo, 14 de junho de 2015
porque há uns minutos pensava em como gostava da expressão estrangeira "moving forward", há qualquer coisa nela que gera um movimento continuo... lento e cuidado... de que gosto.
... entretanto passou esta musica na banda sonora da tarde e descobri lá pelo meio a minha expressão.
sábado, 13 de junho de 2015
quinta-feira, 11 de junho de 2015
quarta-feira, 10 de junho de 2015
às vezes dou por mim a cantar baixinho o refrão...
O primeiro gomo da tangerina (Sérgio Godinho)
Todos vieram
ver a menina
ao primeiro gomo de tangerina
menina atenta
não experimenta
sem primeiro
saber do cheiro
o sabor dos lábios
gestos sábios
Fruta esquisita
menina aflita
ao primeiro gomo de tangerina
amarga e doce
como se fosse
essa hora
em que chora
e depois dobra o riso
e assim faz seu juízo
Sumo na vida
é o que eu te desejo
rumo na vida
um beijo
Sumo na vida
é o que eu te desejo
rumo na vida
um beijo, um beijo
Ah, que se lembre
sempre a menina
do primeiro gomo de tangerina
p'la vida dentro
é esse o centro
da parcela da vitamina
que a faz crescer sempre menina
A terra é grande
é pequenina
do tamanho apenas da tangerina
quem mata e morre
nunca percorre
os caminhos do que há de melhor
nesse sumo
a vida, gomo a gomo
Sumo na vida
é o que eu te desejo
rumo na vida
um beijo
Sumo na vida
é o que eu te desejo
rumo na vida
um beijo, um beijo
aqui
sábado, 6 de junho de 2015
Um dia destes definiram-me loucura como sendo fazer uma coisa que ninguém espera que façamos, nem nós próprios. Eu definia loucura por menos e com base nisso achava que já havia cometido várias. Nesta nova perspectiva sobrava-me pouca coisa.
Esta semana, quando já me havia esquecido desta conversa, no espaço de pouco tempo cometi uma outra dessas para juntar às poucas. Decisão tomada perguntam-me agora, com cautela, se estou bem, como se estivessem à espera que eu reconheça que estou arrependida. Não sei se estou. Não saberia se estava se a decisão tivesse sido outra. Na incerteza decidi-me a não voltar as costas de forma prematura ao que tinha há pouco, que desejei muito antes e que de certa forma foi o que me trouxe até aqui. Aqui onde encontrei esta estranha mania de ter fé.
segunda-feira, 1 de junho de 2015
quinta-feira, 28 de maio de 2015
depois da caminhada....
chamem-me copinho de leite, que eu mereço
depois de desmarcar um treino...
para a corrida do caracol, diz que estava muito calor... e leitinho fresco não combina
quarta-feira, 27 de maio de 2015
"The trail is the thing, not the end of the trail.
Travel to fast and you miss all you are traveling for."
Louis L'Amour
domingo, 24 de maio de 2015
Quando uma pessoa pensa que vai finalmente sossegar, aparece
outra pessoa para nos desafiar. Uma (SV) quer ir a Fátima a pé, a outra (eu)
sugere ir pelos caminhos mais rurais. Uma apresenta uma proposta, a outra
outra. As duas escolhem a melhor opção e marcam para dali a uns dias. Uma
estuda o assunto, a outra não tem tempo. Uma convida mais um elemento (DS), a
outra concorda. Uma tem tudo a jeito, a outra na véspera tem um imprevisto que
pode inviabilizar os planos. Uma espera que a outra resolva. E a outra resolve.
O terceiro elemento confirma e no sábado de manhã encontramo-nos à 6h para
fazer o “Caminho do Tejo” Santarém-Fátima.
Seguimos num passo descontraído e em boa conversa rumo à
ruralidade. Francamente otimistas e satisfeitos íamos apreciando a paisagem e
chamando a atenção para os pormenores. Este percurso coincide também com um dos
Caminhos de Santiago o que de certa forma lhe confere esta mística de irmos para Fátima e sentirmos que podíamos estar a Caminho de Santiago de
Compostela. Aliás, é já um interesse que uma e outra descobriram que têm em
comum… Mas desta etapa que cumprimos tirámos ensinamentos que nos permitem ser
mais realistas. O Caminho estava muito bem sinalizado, diria que é quase
impossível alguém perder-se. Mas nós distraímo-nos com a conversa por mais que
uma vez, mas na falta dos tantos elementos pintados nos postes de electricidade,
no tronco das árvores, nas pedras e outros não tardámos a dar pelo erro. Dá
vontade de agradecer a paciência de quem pintou tantas indicações, para além
dos marcos principais que se encontravam em cada encruzilhada para nos
orientar. De certa forma acabamos por nos sentir acompanhados de todo aquele
cuidado que zela para que não saíamos do Caminho. Ainda assim, saímos mas
regressamos por falta disso mesmo, de ir junto de quem cuida de nós. Por estradões
ou trilhos lá continuámos tranquilos até à hora do almoço onde fizemos um
pequeno desvio para nos reabastecermos de calorias e continuar. As conversas
foram muitas, umas mais introspectivas que outras, mas todas a dizerem muito de
nós e da nossa perspectiva da vida. O percurso, que nos manteve afastados da
civilização a maior parte do tempo, permitiu-nos uma tranquilidade de espirito
e de comunhão com a natureza que se reflectiu um pouco no ritmo calmo em que
seguimos. Atravessamos a Serra de Aire e Candeeiros encantados com a beleza dos
trilhos por entre os muros de pedras empilhadas e a magnitude da vista que
ficava para trás, depois descer a um covão e subir ao parque eólico já com
poucos minutos de sol. E se já havíamos passado por uns velhos moinhos muito
antes, estes gigantes de metal naquele vagaroso movimento perpétuo das hélices continuam
não só a conquistar o meu coração como o dos amigos que me acompanhavam. Mas por
aquela hora não havia tempo para contemplações que o sol se estava a querer pôr
muito antes do que estávamos à espera. Daqui para a frente os marcos do caminho
era tudo aquilo que conseguíamos vislumbrar na aproximação, para além da
silhueta da serra que descíamos. Na escuridão apuramos a audição e eu confesso
que tive medo ao mesmo tempo que acreditei que nada nos aconteceria. Houve silêncio
e devemos ter caminhado mais depressa que nunca. Assustamo-nos, rimo-nos, para
logo depois ficarmos calados e sérios. Eu ansiei por civilização, que as bolhas
dos pés estavam a cansar-me de dores. Queixei-me menos que o que tinha na vontade. Já nos estradões cortava a respiração
sempre que se aproximava um carro (muito poucos quase nenhum), respirava de alivio quando ele passava, e depois
ficava indignada porque não nos tinha perguntado se precisávamos de ajuda. Contradições tão confusas como a vez em que confundi um pirilampo com a aproximação ao longe de um veículo. Eu ansiava saber se faltava muito e fui descobrindo que sim que ainda
faltava. Mesmo que dos caminhos escuros ainda conseguíssemos escutar o som que
vinha da missa a decorrer em Fátima. Foram 2h30 na escuridão até entrar no santuário
praticamente deserto e tranquilo, como a maior parte do nosso caminho.
O DS foi o nosso anjo da guarda teimoso. Com uma paciência
para nós que só ele, mas também por isso é que o convidámos. Na sua calma
sempre a questionar qualquer aceleramento nosso, nada nos disse por termos
teimado em seguir pelo Caminho a poucas horas de luz de dia em vez de seguirmos
pelas estradas nacionais. Tomou bem conta de nós. Eu e a SV entendemo-nos muito
bem e tudo leva a querer que um dia nos fazemos à estrada, ou melhor, ao
Caminho novamente. Mais conscientes das nossas limitações e capacidades e com
mais dicas na lista “do que levar”.
Dos mal estimados 56km a que eu acrescentaria mais 10km em
17 horas de boa companhia, apesar do empeno nos pés, das dores das bolhas e do
andar de pato, foi uma experiencia muito boa, para a vida e para as boas
recordações. Obrigada aos dois!!
sexta-feira, 22 de maio de 2015
terça-feira, 19 de maio de 2015
sábado, 16 de maio de 2015
sábado de manhã...
a intenção era provar uma história por dia, mas é difícil não querer sorrir com outro final, porque estes finais são assim... leves como as papas de aveia.
quinta-feira, 14 de maio de 2015
terça-feira, 12 de maio de 2015
a língua portuguesa falada é muito traiçoeira, se não vejamos...
Entro na livraria à pressa, faço uma paragem junto de uma estante para ver alguma novidade e finalmente dirijo-me ao livreiro. Depois dos cumprimentos da praxe:
-Venho-buscar-um-livro-guardado-em-nome-de-Ana-Fernandes-...Provo-te...
foi isto que eu lhe disse, e ele lançou-me um olhar atrapalhado... eu não menos atrapalhada e já com muita vontade de rir, refiz ligeiramente
- ... o nome oo livro é... Provo-te
-...han já sei... vou buscar (disse ele com um olhar mais aliviado)
Ainda não me tinha virado as costas e já eu sorria (não ria) a bandeiras despregadas... entretanto ele regressou com o livro e visivelmente bem disposto.
Os dois, politicamente correctos nos respectivos papeis de livreiro e cliente levamos a cena até ao fim com um sorriso de orelha a orelha e mais nada que denunciasse este lapsus linguae
domingo, 10 de maio de 2015
Manhã cedo estava a caminho de campos verdes floridos e perfumados para um trail. Não foi de inscrição mas foi de convite, o que por um lado é bom mas por outro cria-me sempre aquela insegurança do confronto entre aquilo que são as expectativas de treino do outro e a minha capacidade de resposta. A possibilidade de fazer trilhos e experimentar caminhos novos esbateu os receios e lá fui eu... pelo menos uma vez, à segunda só cai quem quer (ou não).
É mais do mesmo mas daquele mesmo que nos vicia a regressar, daquele que nos faz correr por gosto, como se fosse a primeira vez. Não havia fitas a marcar o percurso, por isso segui ainda mais descontraída nunca perdendo de vista quem sabia e que acabou por não se afastar muito, ou nada. A certa altura numa estrada de terra batida seguíamos lado a lado, cada um no carreiro traçado pelos rodados dos veículos. Às tantas pareceu-me que a faixa do meu amigo tinha menos pedras e pensei em passar para trás dele mas simultaneamente apercebi-me da metáfora, desta nossa mania em pensar que o caminho do outro tem sempre menos pedras que o nosso... e continuei do meu lado.
Sendo que o percurso era sempre junto de uma linha de água, não raras vezes tinha o prazer de escutar aquele som da água a passar pelas pequenas cascatas, ou então atravessar até à outra margem via ponte, ou via passadiço de pedra, como um onde aproximação nada fazia prever sobre oásis que ali se encontrava. Não fui lá molhar o pezinho, ao contrário de quem comigo corria, que foi lá molhar os dois. Enquanto isso eu absorvi daquele cantinho a expressão da tal magia sem ilusões, ali estava eu num sitio muito parecido a um outro que tinha desejado conhecer. Não deu para sentar-me nas pedras, sob a sombra da copa da árvore, a desfrutar de um silêncio assim mas segui satisfeita porque vi e porque sim.
O sobe e desce do relevo foi tranquilo, o calor é que começou a travar-me as forças e o animo mas seguimos até ser dado por terminado o treino, para mim foi antes uma distração com 20km bem passados de uma paisagem que me faz bem, na boa companhia de quem não se importou de a partilhar comigo.
Sendo que o percurso era sempre junto de uma linha de água, não raras vezes tinha o prazer de escutar aquele som da água a passar pelas pequenas cascatas, ou então atravessar até à outra margem via ponte, ou via passadiço de pedra, como um onde aproximação nada fazia prever sobre oásis que ali se encontrava. Não fui lá molhar o pezinho, ao contrário de quem comigo corria, que foi lá molhar os dois. Enquanto isso eu absorvi daquele cantinho a expressão da tal magia sem ilusões, ali estava eu num sitio muito parecido a um outro que tinha desejado conhecer. Não deu para sentar-me nas pedras, sob a sombra da copa da árvore, a desfrutar de um silêncio assim mas segui satisfeita porque vi e porque sim.
O sobe e desce do relevo foi tranquilo, o calor é que começou a travar-me as forças e o animo mas seguimos até ser dado por terminado o treino, para mim foi antes uma distração com 20km bem passados de uma paisagem que me faz bem, na boa companhia de quem não se importou de a partilhar comigo.
sábado, 9 de maio de 2015
sábado de manhã...
Eu não sei o que é que as mulheres são, nem os
homens, agora as pessoas sei que podem ser de muitas maneiras, não perfeitas,
onde eu me incluo. Tento ser melhor e nem sempre sou bem
sucedida… é isto o meu viver.
panqueca de clara de ovo, 1/2 maçã, 2 clh peq de queijo fresco, 1 clh gde de sumo de limão, tudo triturado e aquecido na frigideira a acompanhar com pedaços de banana e morango e canela.
sexta-feira, 8 de maio de 2015
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