quinta-feira, 28 de maio de 2015



depois da caminhada....
chamem-me copinho de leite, que eu mereço

depois de desmarcar um treino...
para a corrida do caracol, diz que estava muito calor... e leitinho fresco não combina


quarta-feira, 27 de maio de 2015





"The trail is the thing, not the end of the trail.
Travel to fast and you miss all you are traveling for."

Louis L'Amour


domingo, 24 de maio de 2015




Quando uma pessoa pensa que vai finalmente sossegar, aparece outra pessoa para nos desafiar. Uma (SV) quer ir a Fátima a pé, a outra (eu) sugere ir pelos caminhos mais rurais. Uma apresenta uma proposta, a outra outra. As duas escolhem a melhor opção e marcam para dali a uns dias. Uma estuda o assunto, a outra não tem tempo. Uma convida mais um elemento (DS), a outra concorda. Uma tem tudo a jeito, a outra na véspera tem um imprevisto que pode inviabilizar os planos. Uma espera que a outra resolva. E a outra resolve. O terceiro elemento confirma e no sábado de manhã encontramo-nos à 6h para fazer o “Caminho do Tejo” Santarém-Fátima.
Seguimos num passo descontraído e em boa conversa rumo à ruralidade. Francamente otimistas e satisfeitos íamos apreciando a paisagem e chamando a atenção para os pormenores. Este percurso coincide também com um dos Caminhos de Santiago o que de certa forma lhe confere esta mística de irmos para Fátima e sentirmos que podíamos estar a Caminho de Santiago de Compostela. Aliás, é já um interesse que uma e outra descobriram que têm em comum… Mas desta etapa que cumprimos tirámos ensinamentos que nos permitem ser mais realistas. O Caminho estava muito bem sinalizado, diria que é quase impossível alguém perder-se. Mas nós distraímo-nos com a conversa por mais que uma vez, mas na falta dos tantos elementos pintados nos postes de electricidade, no tronco das árvores, nas pedras e outros não tardámos a dar pelo erro. Dá vontade de agradecer a paciência de quem pintou tantas indicações, para além dos marcos principais que se encontravam em cada encruzilhada para nos orientar. De certa forma acabamos por nos sentir acompanhados de todo aquele cuidado que zela para que não saíamos do Caminho. Ainda assim, saímos mas regressamos por falta disso mesmo, de ir junto de quem cuida de nós. Por estradões ou trilhos lá continuámos tranquilos até à hora do almoço onde fizemos um pequeno desvio para nos reabastecermos de calorias e continuar. As conversas foram muitas, umas mais introspectivas que outras, mas todas a dizerem muito de nós e da nossa perspectiva da vida. O percurso, que nos manteve afastados da civilização a maior parte do tempo, permitiu-nos uma tranquilidade de espirito e de comunhão com a natureza que se reflectiu um pouco no ritmo calmo em que seguimos. Atravessamos a Serra de Aire e Candeeiros encantados com a beleza dos trilhos por entre os muros de pedras empilhadas e a magnitude da vista que ficava para trás, depois descer a um covão e subir ao parque eólico já com poucos minutos de sol. E se já havíamos passado por uns velhos moinhos muito antes, estes gigantes de metal naquele vagaroso movimento perpétuo das hélices continuam não só a conquistar o meu coração como o dos amigos que me acompanhavam. Mas por aquela hora não havia tempo para contemplações que o sol se estava a querer pôr muito antes do que estávamos à espera. Daqui para a frente os marcos do caminho era tudo aquilo que conseguíamos vislumbrar na aproximação, para além da silhueta da serra que descíamos. Na escuridão apuramos a audição e eu confesso que tive medo ao mesmo tempo que acreditei que nada nos aconteceria. Houve silêncio e devemos ter caminhado mais depressa que nunca. Assustamo-nos, rimo-nos, para logo depois ficarmos calados e sérios. Eu ansiei por civilização, que as bolhas dos pés estavam a cansar-me de dores. Queixei-me menos que o que tinha na vontade. Já nos estradões cortava a respiração sempre que se aproximava um carro (muito poucos quase nenhum), respirava de alivio quando ele passava, e depois ficava indignada porque não nos tinha perguntado se precisávamos de ajuda. Contradições tão confusas como a vez em que confundi um pirilampo com a aproximação ao longe de um veículo. Eu ansiava saber se faltava muito e fui descobrindo que sim que ainda faltava. Mesmo que dos caminhos escuros ainda conseguíssemos escutar o som que vinha da missa a decorrer em Fátima. Foram 2h30 na escuridão até entrar no santuário praticamente deserto e tranquilo, como a maior parte do nosso caminho. 
O DS foi o nosso anjo da guarda teimoso. Com uma paciência para nós que só ele, mas também por isso é que o convidámos. Na sua calma sempre a questionar qualquer aceleramento nosso, nada nos disse por termos teimado em seguir pelo Caminho a poucas horas de luz de dia em vez de seguirmos pelas estradas nacionais. Tomou bem conta de nós. Eu e a SV entendemo-nos muito bem e tudo leva a querer que um dia nos fazemos à estrada, ou melhor, ao Caminho novamente. Mais conscientes das nossas limitações e capacidades e com mais dicas na lista “do que levar”.

Dos mal estimados 56km a que eu acrescentaria mais 10km em 17 horas de boa companhia, apesar do empeno nos pés, das dores das bolhas e do andar de pato, foi uma experiencia muito boa, para a vida e para as boas recordações. Obrigada aos dois!!



sábado, 16 de maio de 2015



sábado de manhã...
a intenção era provar uma história por dia, mas é difícil não querer sorrir com outro final, porque estes finais são assim... leves como as papas de aveia.


quinta-feira, 14 de maio de 2015



logo pela manhã liguei-lhe dando o ultimato: Oh vó olha que tu não vás à espiga sem mim...


terça-feira, 12 de maio de 2015



das manhãs que começo no varintal a apanhar espinafres, rúcula, coentros e hortelã para o almoço...




a língua portuguesa falada é muito traiçoeira, se não vejamos...


Entro na livraria à pressa, faço uma paragem junto de uma estante para ver alguma novidade e finalmente dirijo-me ao livreiro. Depois dos cumprimentos da praxe:

-Venho-buscar-um-livro-guardado-em-nome-de-Ana-Fernandes-...Provo-te...
foi isto que eu lhe disse, e ele lançou-me um olhar atrapalhado... eu não menos atrapalhada e já com muita vontade de rir, refiz ligeiramente
- ... o nome oo livro é... Provo-te
-...han já sei... vou buscar (disse ele com um olhar mais aliviado)
Ainda não me tinha virado as costas e já eu sorria (não ria) a bandeiras despregadas... entretanto ele regressou com o livro e visivelmente bem disposto.
Os dois, politicamente correctos nos respectivos papeis de livreiro e cliente levamos a cena até ao fim com um sorriso de orelha a orelha e mais nada que denunciasse este lapsus linguae


domingo, 10 de maio de 2015



Manhã cedo estava a caminho de campos verdes floridos e perfumados para um trail. Não foi de inscrição mas foi de convite, o que por um lado é bom mas por outro cria-me sempre aquela insegurança do confronto entre aquilo que são as expectativas de treino do outro e a minha capacidade de resposta. A possibilidade de fazer trilhos e experimentar caminhos novos esbateu os receios e lá fui eu... pelo menos uma vez, à segunda só cai quem quer (ou não). 
É mais do mesmo mas daquele mesmo que nos vicia a regressar, daquele que nos faz correr por gosto, como se fosse a primeira vez. Não havia fitas a marcar o percurso, por isso segui ainda mais descontraída nunca perdendo de vista quem sabia e que acabou por não se afastar muito, ou nada. A certa altura numa estrada de terra batida seguíamos lado a lado, cada um no carreiro traçado pelos rodados dos veículos. Às tantas pareceu-me que a faixa do meu amigo tinha menos pedras e pensei em passar para trás dele mas simultaneamente apercebi-me da metáfora, desta nossa mania em pensar que o caminho do outro tem sempre menos pedras que o nosso... e continuei do meu lado.
Sendo que o percurso era sempre junto de uma linha de água, não raras vezes tinha o prazer de escutar aquele som da água a passar pelas pequenas cascatas, ou então atravessar até à outra margem via ponte, ou via passadiço de pedra, como um onde aproximação nada fazia prever sobre oásis que ali se encontrava. Não fui lá molhar o pezinho, ao contrário de quem comigo corria, que foi lá molhar os dois. Enquanto isso eu absorvi daquele cantinho a expressão da tal magia sem ilusões, ali estava eu num sitio muito parecido a um outro que tinha desejado conhecer. Não deu para sentar-me nas pedras, sob a sombra da copa da árvore, a desfrutar de um silêncio assim mas segui satisfeita porque vi e porque sim.
O sobe e desce do relevo foi tranquilo, o calor é que começou a travar-me as forças e o animo mas seguimos até ser dado por terminado o treino, para mim foi antes uma distração com 20km bem passados de uma paisagem que me faz bem, na boa companhia de quem não se importou de a partilhar comigo.


sábado, 9 de maio de 2015



sábado de manhã...
Eu não sei o que é que as mulheres são, nem os homens, agora as pessoas sei que podem ser de muitas maneiras, não perfeitas, onde eu me incluo. Tento ser melhor e nem sempre sou bem sucedida… é isto o meu viver.

panqueca de clara de ovo, 1/2 maçã, 2 clh peq de queijo fresco, 1 clh gde de sumo de limão, tudo triturado e aquecido na frigideira a acompanhar com pedaços de banana e morango e canela.


segunda-feira, 4 de maio de 2015




Conto que passaram 4 anos sem ti. Parece uma longa distância a muitos factos da vida mas ínfima para tudo o que nos liga. As saudades repetem-se todos os dias,  todas as vezes que sou mais feliz e todas as vezes que me deparo com males menores. Às vezes sinto-me exausta pela tua ausência, outras uma privilegiada por sentir-te por perto. Hoje o que sinto é só mesmo este vazio que ficou, no qual me reinvento para agradecer a oportunidade que a vida me deu de te ter e daquilo que me deste e me continuas a dar em tudo o que tem a capacidade de perdurar.


sábado, 2 de maio de 2015



afinal o sábado de manhã foi agitado.
Equipar, acondicionar o doce, a pizza e a carne e seguir para a casa da meta. É assim que se inicia este jogo, o do trailika. Depois daí para a casa da partida e esperar que estejam todos prontos para começar a correr pelos campos das redondezas até à casa onde recuperaríamos as forças durante toda a tarde. Se há um ano comecei com os rápidos e acabei com os lentos, desta comecei com os lentos e a meio mudei para os rápidos. Esta alteração veio a revelar-se uma boa opção. Se no inicio o ritmo deu lugar à conversa com uma amiga que depois de um ano de afastamento volta agora a estas andanças com a responsabilidade acrescida de uma bébé, depois limitei-me mais a escutar para poupar energias. Apesar dos grupos seguirem a ritmos diferentes, havia alguns pontos onde nos cruzávamos, como no alto do monte, junto ao moinho. Há sempre uma moinho abandonado a dar um ar de graça a estas histórias e este marca um ponto de encontro com um abastecimento a recarregar energias para as etapas seguintes. Encontramo-nos todos já com aquele ar "de-quem-nos-manda-meter-nisto" mas depois de recarregadas as calorias e rehidratado o corpo conseguimos sorrir com vontade para a fotografia da praxe e refilar que já se faz tarde na ânsia de chegar ao destino. Daqui ainda parti com o grupo lento mas uns quilómetros mais à frente onde nos voltaríamos a encontrar decidi desertar mais um colega e confiar que havia de aguentar. Fiquei então a conhecer a outra parte do percurso e que muito me agradou. Quanto à rapidez deu para gerir bem e seguir sempre acompanhada, isto garante boa disposição com os disparates que se vão escutando. E foi a sorrir e a correr que mais uma vez entramos pelo quintal da casa para mais um convívio de comes e bebes. Para mim, foram aproximadamente 19 km e com um nível de cansaço a justificar qualquer excesso alimentar com as iguarias que se prometiam para a festa, já para não falar num concurso de arroz doce. Desta vez sobrou espaço no frigorifico, uma vez que as médias foram substituídas por barris de malterecovery de tirar à pressão, se é que me faço entender. Patês, enchidos, queijinhos, febras, sardinhas e outros que tais, somaram 10 horas de convívio e boa disposição. Há quem reclame que só uma vez por ano é pouco, a mim parece-me perfeito para regressarmos com saudades.


sexta-feira, 1 de maio de 2015




há uns dias atrás, quando regressava a casa ao final do dia escutei esta musica na rádio, coloquei o volume mais alto e cantei uma das minhas musicas favoritas. Pensei em postá-la por aqui, não o fiz, nunca mais me lembrei, e hoje fica em memória desta voz que a eternizou.




sábado sexta-feira feriado de manhã...

estes meus sábados de manhã estavam em falta por aqui. Por cá têm sido um pouco mais agitados sem tempo para contemplações, talvez por serem agora ainda mais bem vindos e desejados...
o leite é de aveia, aromatizado de limão, talvez uma alteração a manter...



terça-feira, 28 de abril de 2015



Lembro-me de ter amigos que quando estavam em fase de crescimento físico queixavam-se sobretudo de dores nos joelhos. Apesar de não ter crescido muito, o que cresci foi depressa. Cheguei a ser a maior e dessas dores não tenho memória. Dessas não, mas desde então sinto outras. O tempo é uma espécie de analgésico que nem sempre actua à primeira. As mesmas dores vão doendo menos ou igual, as novas doem o que tiver de ser . E daquelas dores que ardem para curar aguardo impaciente se curam. Estas dores de crescimento que podem travar, também podem incentivar. E dos tempos que sinto aquela dor de quem está a mudar, tenho cada vez menos medo de a enfrentar.


sexta-feira, 24 de abril de 2015

quarta-feira, 22 de abril de 2015





No sábado, mais dia menos dia fizeram 2 anos que participei na primeira prova de corrida, a Scalabis Night Race I. Na sequência da respectiva inscrição integrei o grupo de corrida que a organizou e até hoje tem sido uma presença constante na minha vida. Quer pelos "treinos", quer pelos amigos que fiz faço, quer pelo convívio e quer pela participação em provas de estrada ou trail. Por quantas vezes "vou-ali-correr-e-já-venho" e descomplico a vida.

No sábado, mais dia menos dia, fez 1 ano que não corri e apenas dei o meu contributo na Scalabis Night Race II, ajudando a organização no que me foi solicitado ou no que me pareceu estar ao meu alcance. Ser útil é bom, não correr foi o sacrifício que fiz para proporcionar aos outros aquele incentivo que sabe tão bem. 

No sábado, voltei a ajudar na Scalabis Night Race III. Voltei a ser uma pequena peça na engrenagem da distribuição de dorsais. Voltou a ser bom ajudar, dar o meu contributo, conviver com os colegas de equipa. Mas desta não fiz o sacrifício, não fiquei sem correr. Queria fazer uma prova de 10km, queria participar novamente nesta prova, arranjei dois objectivos de tempo, um expectável, outro utópico e fiz a inscrição. 

Saí da linha de distribuição dos dorsais a horas de trocar de roupa e chegar à linha de partida, ou tão perto quanto possível. Pelo caminho questionei-me se não deveria voltar para trás e trocar para o papel de staff e dar a mão onde fosse preciso, mas não tardei a esquecer as boas intenções assim que me vi cercada de atletas e amigos equipados naquele frenesim da coluna de partida. Foi a bom ritmo que parti com aquela massa de gente louca que o que quer é começar logo ali a ultrapassar a toda a velocidade e uma pessoa deixa-se ir naquele destravamento. Deixa-se ir até aguentar e eu aguentei o primeiro quilometro. Na linha de partida encontrei a minha amiga da maratona, a VF, que de certa forma ainda se ofereceu para puxar por mim mas só deixei que o fizesse até esse primeiro quilometro, depois tive de ficar para trás para não ter de parar por exaustão. Senti-me bem mas não BEEEM. Houve calor, houve uma dorzita, houve uma grande sensação de cansaço e de que seguia em grande esforço. Não deixei de prestar atenção aquele staff que me reconheceu ao longo do caminho, (só aí me dei conta que corria com a t-shirt da prova e e não da equipa) e me incentivaram com os mais diversificados pregões desportivos a que eu agradecia com um aceno, que não havia folego para mais, ou então murmurava "está aqui uma coisa esperta" tal era o desgaste que estava a sentir. Houve vontade de parar, caminhar e ralhar comigo, do tipo "perdeste o juízo ou quê, desde quando é que tens objectivos que se sobrepõem ao bem estar... hein?" mas acho que nem tive força para me dar ouvidos e continuei até à meta. Ultrapassada por muitos, 603 pares de pernas de um total de 2035, para bater meu recorde pessoal (objectivo expectável) e realizar 10km em 50 minutos e 13 segundos (objectivo utópico dos 50 min).
Pensei que caía para o lado depois da meta mas não, continuei a caminhar, parei para conversar, com este, aquele e aquele outro, comi a minha bifana, bebi a minha imperial (só meia), comi o meu pampilho e fui até casa a correr tomar banho e trocar de camisola. Depois voltei a tempo de ver pela primeira vez a entrega dos prémios, festejar à organização, ver o fogo de artificio e comer mais um pampilho. Ver o recinto cheio e vê-lo esvaziar-se deu-me vontade de voltar a ajudar para não prestar muita atenção ao fim da festa e assim fiz, mais uma vez, no que esteve ao meu alcance até regressar novamente a casa para o descanso merecido. 

e no sábado não me adormeci sem antes pensar "para o ano há mais"

foto: com Carlos Lopes


quarta-feira, 15 de abril de 2015



... e se por aqui parece que agora que não se passa nada, eu digo, que por aqui se passa tanto...


sexta-feira, 3 de abril de 2015




pensava eu, que tinha deixado tudo a jeito na noite anterior só para ficar mais uns minutos deitada a descansar na manhã seguinte. Já na correria pós despertador dei por falta disto e daquilo, mas não de tudo e saí convencida que não me faltava nada. Fui ao encontro de uma amiga das corridas, a SV, para sermos conduzidas até ao trail que aguardava por nós há um ano. Com aquela excitação dos miúdos, sorriam-nos os olhos à chegada só de imaginar o que nos esperava. As expectativas estavam altas e na partida foram generosos e deixaram-nos descer um bom bocado. É um pouco como na vida, às vezes há que dar um passo atrás para seguir os nossos propósitos e na Serra dos Candeeiros, como em tantas outras, se queremos ser surpreendidos pela beleza do topo, o sofrimento de subir por aí a cima redobra a satisfação. Grande parte do percurso obrigava a olhar para o chão, para ver onde colocava os pés, mas sempre que levantava os olhos era surpreendida pela vista circundante. O enquadramento do single track, de vegetação densa ponteada de amarelo e roxo e cinza da rocha era o postal que guardava para os dias de paredes brancas e papeis. A ecopista que circunscrevia a serra a meia altitude, onde outrora passou o pouca-terra-pouca-terra levou-nos também a passar debaixo dos mini-tuneis escavados na rocha. Imaginei à velocidade a que seguiam os comboios de antigamente a nostalgia de quem picava o bilhete ao apreciar tal percurso serrano. E o que era de tudo isto sem esse sentido do olfato, inspirar o aroma do alecrim, do pinhal, dos eucaliptos e de tantos outros que fazem do contacto com a natureza o retrato que gravamos na memória. Começamos as duas e seguimos juntas, não nos inibindo de parar para foto, a ideia era esforçarmo-nos até ao ponto que assegurasse a diversão. Entre correr, caminhar e saltitar, lá pela serra ficam também guardadas as conversas de raparigas que fomos tendo durante todo o percurso, com excepção das subidas feitas a correr, que o folego não dá para tanto. A generosidade da partida caiu por terra com a subidinha-para-lá-de-inclinada que nos esperava para atravessar a meta. Ela desafiou: "não vamos caminhar que parece mal" e eu dei a tática: "corremos mas damos passinhos pequenos para nos aguentarmos"... e depois de uma aproximação lenta atravessamos a meta e lançamo-nos à mesa do abastecimento final, que à semelhança dos que encontramos pela prova estava bem servida de coisas boas para repor as energias e matar o desgaste de 3h25 às voltas na serra para fazer 21km. 
Em sexta-feira Santa dissemos que não às bifanas e descemos para o banho, foi aqui que descobri o que mais estava em falta no meu saco, além da falta de água quente.
Os planos para um almoço entre amigos não tardaram a ganhar rumo e a seguir para o sitio da Nazaré. Tal como na serra o tempo estava optimo e depois do peixinho (ou das primeiras sardinhas do ano) caminhamos para desempenar as pernas e apreciar a vista lá de cima. Descemos à beira-mar e não sei se já disse que o tempo estava optimo, mas por ali estava ainda melhor, mesmo a puxar para o fato de banho e respectivo mergulho, a que alguns desconhecidos, se atreveram, oh almas felizes... Nós optamos por, imagine-se, por caminhar mais um pouco ao longo da calçada, que eu e a SV ainda estavamos com energia para mais umas passadas. Entre o clássico gelado no cone e as nazarenas vestidas a rigor para comemorar quem sabe a presença de tantas pessoas, convivemos também mais um pouco entre nós.
E se de manhã os nossos passos se queriam num bom ritmo, à tarde o ritmo foi daquela lentidão capaz de levar o tempo connosco, quem sabe enganá-lo com o que tínhamos para lhe mostrar e ele cedeu-nos o que teve. Tivemos assim tempo de seguir junto à costa passando e parando para mais vistas deslumbrantes sobre os areais e o mar. Pela Praia dos Salgados, por São Martinho do Porto e parar na Foz do Arelho para mais um copo com vista para o pôr-do-sol. Esquecemo-nos de brindar a esta verdadeira sexta-feira Santa que nos levou de regresso a casa com o coração cheio e a alma leve de um dia tão bem passado e em tão boa companhia. Não saí da Foz sem ver aqueles segundos mágicos em que a bola de fogo laranja passa para lá do horizonte. E se de manhã saí de casa com a sensação de que não me faltava nada, apercebi-me ao final do dia da quantidade de coisas que ainda couberam em mim... na minha bagagem. Regressei, como quis, nesta vida que quero conhecer e dar-me a oportunidade de viver...


quinta-feira, 2 de abril de 2015



"Temos, sobretudo, de aprender duas coisas: aprender o extraordinário que é o mundo e aprender a ser bastante largo por dentro, para o mundo todo poder entrar."
- Agostinho da Silva


terça-feira, 24 de março de 2015



ler assim sobre as infindáveis possibilidades de ser feliz (aqui) fez-me recordar estas palavras (além).


sexta-feira, 20 de março de 2015

quinta-feira, 19 de março de 2015



já sob pressão para resolver um assunto, talvez dois, liguei sem querer para um numero da minha lista no telemóvel. quando me apercebi que alguém do lado de lá respondeu fiquei ali uns segundos a ver se lhe adivinhava a voz, porque já não sabia ao certo por onde tinha passado os dedos. adivinhei, pedi desculpa, expliquei e começamos a conversar. Foi das minhas melhores amigas da secundária que mudou de cidade de forma mais definitiva, assim como os seus pais. com o tempo perdemos o contacto até nos reencontrarmos todos há cinco anos num batizado mas depois disso pouco mudou. perguntei entusiasmada pelos pais, que me tratavam sempre com bastante ternura:
"os meus pais não...o meu pai... a minha mãe faleceu em Outubro"
fiquei sem chão, como é que é possível, por momentos esqueci-me da minha própria injustiça e senti somente dela. Não se faz, não pode ser... mas espera lá eu também não tenho a minha... pode acontecer. tenho estado tão triste mas tão triste, se a mim sempre me tocou a atenção e a postura daquela senhora, a calma de uma mulher feliz com a vida, a segurança da fala e o brilhos nos olhos que nos aconchegava e que brilhavam ainda mais na presença igualmente serena e radiosa do marido, se eu podia sentir falta disto quando me recordava deles imagine-se a dor de quem perdeu tudo e muito mais disto. há coisas que às vezes estamos tão habituados a ver nos nossos que não reparamos assim até realmente perdermos desta forma atroz. recordo-me de descreverem características da minha mãe, que para mim eram dados adquiridos e portanto não tinha noção da distância que ia a quem não partilhava do mesmo no seu dia-a-dia. A mãe da A. já cá não está... é tão estranho que sinto esta vontade de ir contar a minha mãe e desabafar-lhe sobre a minha indignação...




a minha prendinha também foi gourmet




no dia anterior estive a finalizar um licor de tangerina do qual guardei as cascas que tinham estado a macerar na aguardente para fazer um bolo. triturei-as, e à minha maneira misturei-lhe 2 ovos, 1 chávena de açúcar e 2 de farinha, afinal é mais ou menos isto que um bolo tem que levar, certo?! outro extra foram nozes picadas. coloquei na forma e resolvi ocupar o espaço envolvente do tabuleiro do forno com outra experiencia, as chips de batata doce, às quais passei ao de leve por uma mistura de azeite, alho picado e alecrim. o bolo passou na analise sensorial e as batatas também, não ficaram foi tão crocantes como pensei, tenho que afinar ali qualquer coisa, quando repetir, penso sobre o assunto.





é o pai que tendo ficado comigo sozinho em casa enquanto a mãe foi ao hospital fazer o penso da cesariana, decidiu que não havia de esperar por ela para me trocar a fralda, e para lavar o meu rabito, não foi em modas de banheiras e foi mesmo de chuveiro. muitas vezes não compreendido pelas suas decisões e perspectivas, muitas incompreendidas e contestadas por mim, com  razão, a minha ... é presente. não descora nunca do seu papel, às vezes falta-me a paciência. é um pai incansável até a perder a sua própria paciência. não temos a relação perfeita, discordamos tanto para chegar à mesma conclusão. hoje fomos almoçar fora mas depois passamos lá em casa para me dar um tupperware de um outro petisco que tinha feito ontem para o jantar, espargos com bacalhau. é o meu pai, é o muito que tenho.

e outra musica bonita 


terça-feira, 17 de março de 2015



une petite fleur pour le déjeuner

(batata doce, ovo caseiro mexido com beterraba e salteado de hortaliças biológicas)




acabadinha de sair, fruto de um projecto que a própria história cativa, é uma musica que me deixa expectante com o que está para vir. esta por si só já tem a delicadeza que a coloca nas minhas favoritas no geral, e em particular para qualquer momento em que o recomeço coincide com aquele suspiro profundo que damos perante as coisas admiráveis...  

by Dawn Mitschele:
"Last summer, I received an email from an amazing local writer, lyricist and musician, Al Howard. He said he’d heard me in the studio at 91x and was wondering if I’d be down to collaborate. Turned out we are both from the beautiful garden state of New Jersey and we even went to high school 10 miles away from each other! He told me he was on a Greyhound journey, headed a dozen states away and wanted to send me some inspiration from the road to see if I could spin his words into song. I remember when I got the first set of lyrics and it felt like home. There was something in his words that was so reminiscent of all the writers I loved reading and studying as an English major in NYC. So, I sat down on my kitchen floor and wrote the first song. I sent it off to him less than an hour later…and our little project was born! Now known as Ivy & Stone, we’ve written a collection of songs over the past year and we are having our first show on March 28th at Java Joe’s. Here’s a little taste of what to expect:

Ivy & Stone Tarot
I've come to read the tarot of the skyline
To see the families overdressed at church
As if god was amused
By your finest suits and jewels
I've come / to walk / beside the hearse

I've overheard the gossip and conjectures
I've overheard your heartbeat in the night
Though we have no guilt to hide
We lost nature as our guide
I'm here to get her back on our side

So all
That once
Seemed safe 
To us
Has all
But fallen
Into
Dust
And you’re
The only
One 
Who I can trust

We try to govern all our best impulses
We blame and tame the animal within
Some days I wanna smoke
Drink fire down my throat
Some days I wanna have my way with sin

I know we do not always share a language
(though) We speak a midnight tongue by candlelight
And I tried to understand
And I held tight to your hand
And told you everything would be alright

So all
That once
Seemed safe 
To us
Has all
But fallen
Into
Dust
And you’re
The only
One 
Who I can trust

I'm here to harvest all my fears and burn them
To douse the field with gasoline and fire 
And say a prayer to you
And catch hold of my youth
And when I say I tried / not be a liar

Cause love is a chameleon ever changing
And love is all the distance you can reach
Until we meet again
Caught in what may have been
Love is where we hide and all we seek



segunda-feira, 16 de março de 2015



"do all the things with love"
Og Mandino

Há momentos em que uma pessoa parece que não aprendeu nada. por agora resulta da (in)consciente vontade de permanecer ignorante para determinadas passagens. há em mim uma saudável teimosia resistente a que isso altere a ingenuidade que quero para mim. dá para rir ou para chorar, conforme o estado de espírito, e cada vez mais para ficar calada, que a palavra se torna acessória quando o fundamental são acções, movidas por quem sabe o que quer.


domingo, 15 de março de 2015



se despertar para alguns aspectos da vida fosse tão imediato como acertar as horas do relógio para acordar, muito do que se vive deixaria de ter a magia da imprevisibilidade. da vida. das pessoas. das coisas boas. e do que resta, omisso, que não impeça a vontade de sonhar mais um pouco, mesmo quando temos que nos levantar.


sábado, 14 de março de 2015



não sei se gosto do anuncio ou da escolha da miss janis...





sábado de manhã...
iogurte grego com arrepiado esfarelado daqui, mais raspa de laranja e limão. embaralhar tudo e antes de distribuir colheradas esperar 5 minutos, se aguentar, e MNHAMMM!!

depois é só fazer dieta o resto do dia ou dançar energeticamente sempre que possível...



quinta-feira, 12 de março de 2015



de como às vezes as vida também é assim, uma paisagem linda e desfocada.


segunda-feira, 9 de março de 2015



rebéubéu...pardais ao ninho... pardais ao cesto...
do que me faz sorrir, compensa o esforço, que às vezes também faço, para me levantar cedo para isto, como ontem. 
ou como hoje, num dia fisicamente "não", cedi sem dar luta à pressão do amigo D. que nunca desiste de combinar e convidar. às vezes somos mais, hoje somente os dois e ele lá segue lado a lado sem reclamar e sem "puxar". o que gosta mesmo é de nos tirar de casa para não sucumbirmos ao sofá e às voltas da vida.
não sei ao certo em que dia mas um dia destes fez 2 anos disto. corridas em grupo, de muitas pessoas que conheci e tantas mais coisas que vi e vivi. o convívio com tudo e todos seguramente tem-me encaminhado e forçado a ser o melhor de mim. ainda não houve quem me convencesse das vantagens de um relógio, pois ignora que no fundo tudo que pretendo  nada tem a ver com o tempo de demoro a correr um quilometro, mas sim com quantos sorrisos esboçados ou disfarçados dou durante o meu percurso.






a naifa - música


domingo, 8 de março de 2015



por pouco pensei que tinha aterrado na ilha do parque jurássico, quando a vi atravessar-se duas vezes à minha frente num único voo rasante. que lindo exemplar e que momento único... de simbolismos vários retenho o de bom presságio.