“(...) A Imagem só pode entrar na corrente da consciência se for ela própria síntese e não elemento. Não há, não pode haver imagens dentro da consciência. Mas a imagem é um certo tipo de consciência. A imagem é um acto e não uma coisa. A imagem é consciência de alguma coisa.” in "A Imaginação" de Jean-Paul Sartre
domingo, 25 de outubro de 2015
sábado, 24 de outubro de 2015
sábado de manhã...
A principio é simples, anda-se sózinho
Passa-se nas ruas bem devagarinho
Está-se bem no silêncio e no borborinho
Bebe-se as certezas num copo de vinho
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
Dá-se a volta ao medo, dá-se a volta ao mundo
Diz-se do passado, que está moribundo
Bebe-se o alento num copo sem fundo
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E é então que amigos nos oferecem leito
Entra-se cansado e sai-se refeito
Luta-se por tudo o que se leva a peito
Bebe-se, come-se e alguém nos diz: bom proveito
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
Olha-se para dentro e já pouco sobeja
Pede-se o descanso, por curto que seja
Apagam-se dúvidas num mar de cerveja
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Enfim duma escolha faz-se um desafio
Enfrenta-se a vida de fio a pavio
Navega-se sem mar, sem vela ou navio
Bebe-se a coragem até dum copo vazio
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E entretanto o tempo fez cinza da brasa
E outra maré cheia virá da maré vaza
Nasce um novo dia e no braço outra asa
Brinda-se aos amores com o vinho da casa
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.
O primeiro dia de Sérgio Godinho
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
quarta-feira, 21 de outubro de 2015
imagem daqui
Do balanço dos dias de verão…
desses dias que somaram quase dois meses e meio, alucinantes
e parte integrante de uma outra experiencia profissional. Caíu-me em mãos o que
aparentemente desejara. Propus-me descobrir dificuldades que desconhecia. Não virei
as costas na possibilidade de optar pela zona de conforto. Foi a alma que ditou a escolha de uma
conquista que não gera “vivas” de vitória diante de outros, mas gerou um desbravar de
caminho cá dentro sem tempo para contemplações ou hesitações. Exigiu-me arte na capacidade de não me deixar afectar. Que é preciso arte para não ficar presa a ontem. A ontem ou a uns segundos antes em que o acto de respirar fundo pode ser o primeiro e único exercício
de contenção, em pensamentos e palavras.
A ambição combinada
com ganância é sempre coisa para me deixar exausta ao primeiro confronto. Foram
infindáveis os embates e levei tempo a perceber que a minha lição era ficar
quieta. Assistir. Não por passividade, mas porque tudo se ajusta à posteriori e
porque há lutas que não me dizem respeito. Eu e esta tentação de me expor à
tormenta. Aproveitei para descansar e aprender perante a calma de
outros e que por isso me surpreenderam. Desconstruí e reconstruí a minha perspetiva sobre
as pessoas várias vezes ao dia.
As únicas férias foram as que tirei de mim.Ter umas horas para mim, um dia por semana e no qual me custava
muito a acordar. Nesses dias ainda olhei o sol com aquele encanto do verão, sem
o peso do calor e do pó que apanhei, e que ainda tinha por apanhar. Um dia dei por
mim a contemplar o por do sol que 24 horas depois me eram sempre traumáticos ao
perceber que ainda era demasiado cedo para o regresso a casa. A ansiedade serenava
na penumbra da noite naquela grande recta que me poupava atenção à estrada. Quase
todos os dias esbocei um sorriso antes de me deitar, sendo que a manhã desse mesmo dia parecia ter sido há muitos dias atrás.
Provavelmente chorei 5 minutos na soma dos dias. Fartei-me
das pessoas, que nem para os amigos me apetecia rir e conversar na ínfima
possibilidade de o fazer. O silêncio foi o meu melhor amigo, reconciliador de
toda a verborreia que me rodeava.
Agora que retomei o meu tempo, ainda não repensei tudo.
Agora que retomei o meu tempo, ainda não repensei tudo.
Tudo a seu tempo que há outras coisas a viver, umas entre
outras onde já só procuro escolher o que me suaviza. E depois da tormenta por
um lado, sigo pelo que me suaviza por outro e mantenho um equilíbrio e que me
permite sorrir de tudo e sobretudo, sentir esta gratidão diante da vida, diante
de um invisível em que me reconheço.
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
sábado, 10 de outubro de 2015
sábado de manhã...
sumo de pêra e memórias
um caça-sonhos gigante, que podemos ver no centro cultural do cartaxo e no qual podemos prender a nossa mensagem
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
sábado, 3 de outubro de 2015
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
quando o relógio despertou fiquei uns minutos sem saber porque o havia colocado a despertar às 3h45...
Foi para ver o eclipse da lua. Fiquei intrigada ao saber que ela ia apresentar uma tonalidade avermelhada (?). Assim que espreitei pela janela detive-me em Orion, brilhante como já nem me lembrava que era possível ver esta constelação. Só por isto valeu a pena ser louca de estar à janela de olhos postos no céu. A lua, essa, procurei-a para a descobrir nos tons prometidos. Divida entre o guerreiro e a menina, permaneci o tempo que me pareceu justo a usufruir desta oportunidade.
Foi para ver o eclipse da lua. Fiquei intrigada ao saber que ela ia apresentar uma tonalidade avermelhada (?). Assim que espreitei pela janela detive-me em Orion, brilhante como já nem me lembrava que era possível ver esta constelação. Só por isto valeu a pena ser louca de estar à janela de olhos postos no céu. A lua, essa, procurei-a para a descobrir nos tons prometidos. Divida entre o guerreiro e a menina, permaneci o tempo que me pareceu justo a usufruir desta oportunidade.
“a lua prateada de escondeu
E o sol dourado apareceu”
Jorge Ben Jor. “A minha menina”
domingo, 27 de setembro de 2015
Porque o dia continuou melhor quando
recomeçou inesperadamente a meio.
Num trilho mais pequeno e calmo.
Com tempo para olhar e escutar, os passos e a paisagem. Na volta, nestas e nas
outras, até a mim me vejo e penso “como é que vim aqui parar?”.
Um anfiteatro por si só já me
provoca sempre uma sensação ambígua entre a partição e a continuidade com a
grandeza, quer esteja no topo do auditório ou no centro do palco. Na Fórnea não
é diferente, acrescida da consciência de estar perante um fenómeno geológico.
Avançar aos poucos no sopé da confluência das várias encostas, eu pequena
perante a magnitude das vertentes, encantada pelos detalhes, confiante e
curiosa na exploração guiada. Seguir ao longo da ribeira e chegar à cascata que
não estava na plenitude do espetáculo que nos podia oferecer. A falta da chuva
e a temperatura quente destes dias, permitem-me, por um lado, experimentar o
verão tranquilo que me faltou mas privou-me do som da água a percorrer a
ribeira e a cair em cascata nessa cortina natural. Não sendo longe, posso
regressar para assistir, na primeira fila, ou em qualquer lugar que me apeteça,
na certeza que será sempre privilegiado. Continuar e subir ligeiramente por um
trilho mais estreito a caminho da gruta da Cova da Velha. Olhar para cima,
olharte à volta e pensar novamente “como é que vim aqui parar?”. Por agora a
gruta também está seca pelo que pudemos entrar e eu aventurar-me pela primeira
vez no seu interior. Subir umas rochas, até ao espaço confinado a um só,
desviando-me da maior aranha que já vi e incentivar outro curioso a juntar-se a
nós. Procurei ver o que um dia destes a água não tardará a esconder e fiquei-me
pela imaginação dessa galeria que prosseguirá no interior da serra por uma
fenda que já só alcancei com a luz da lanterna. Ousei apontar o foco ao morcego
que desafiando a gravidade repousava serenamente.
No regresso, já refeitos da
ansiedade camuflada de sentido de humor, pausámos mais, em particular junto das
figueiras selvagens, que eu, se vejo uma oportunidade de comer verdadeiramente
biológico não me faço esquisita e provo.
Depois de uma hesitação na exploração
de outra gruta decidi(mos) pelo regresso que viria a ser
interrompido pela super lua a emergir no horizonte. Grande. Os meus olhos
viram-na grande e linda. Se é ilusão a sua grandeza então direi que aqui vale a
pena ser enganada pelo meu próprio cérebro. Não faltaram as fotos, umas mais
técnicas que outras, todas para registar esse momento de maior proximidade à
lua e às coisas boas da vida que me fizeram ir ali parar…
sábado, 26 de setembro de 2015
"(...).De qualquer modo, o senhor Palomar não desanima e pensa, em cada momento, que viu tudo aquilo que podia ver a partir do seu ponto de observação; mas acaba por aparecer sempre qualquer coisa que ele não tinha tomado em consideração. Não fora esta sua impaciência por alcançar um resultado completo e definitivo através da sua operação visual, o observar das ondas seria para ele um exercício muito repousante e poderia salvá-lo da neurose, do enfarte e da ulcera gástrica. E talvez pudesse ser essa a chave para dominar a complexidade do mundo, reduzindo-a ao seu mecanismo elementar. (...)"
in Palomar de Italo Calvino
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
terça-feira, 22 de setembro de 2015
sábado, 19 de setembro de 2015
sábado muito de manhã...
abro a portada e dou licença à aragem fresca. não a recebo de braços abertos porque a pressa não se compadece com esta poesia mas a alma arrepia-se tanto ou mais que a pele. passo pela sala e saúdo o sol prometendo que, mesmo de pé, juntar-me-ei e a ele para o pequeno almoço.
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
domingo, 6 de setembro de 2015
domingo, 16 de agosto de 2015
se já antes parava pouco tempo no sofá, agora muito menos... mas ontem calhei a ligar a televisão e a sentar-me a tempo de escutar isto...
sábado, 15 de agosto de 2015
depois de comermos a meias 2 sundaes de caramelo e morango, diz a minha avó ao olhar para o fundo do copo do de caramelo:
- então não comes aquele restinho de caramelo?!
eu: nop, não quero mais doce...
avó: ... tens que ir lá perguntar ao senhores se têm alguma coisa amarga para comeres...
só passado um minuto é que percebi a piada... ou é a minha avó está muito espirituosa ou sou eu que estou muito cansada!!
quarta-feira, 29 de julho de 2015
modernices...
hoje por volta da meia-noite comecei a conversar com uma amiga ao telemóvel. coincidiu no inicio por um pedido de desculpas, devido ao facto do barulho de fundo de ambas ser o de termos loiça para lavar... e prosseguimos, ela enquanto lava o chão da cozinha e eu enquanto dobrava roupa lavada...
quarta-feira, 22 de julho de 2015
terça-feira, 21 de julho de 2015
domingo, 19 de julho de 2015
parar para apanhar e comer as primeiras amoras do ano. Aquelas que trazem sempre as mesmas memórias. Das que apanhamos juntas até às primeiras que apanhei sozinha. É nesse misto de saudade de nós que paro, apanho e como. Ali não tive pressa, demorei-me até ficar com a boca cheia e provavelmente preta. Não te faço caretas para que sorríamos dos meus disparates. Fingi que já não tenho idade para isso e deixei-me estar até ficar novamente com a boca cheia e provavelmente preta...
sábado, 18 de julho de 2015
sexta-feira, 17 de julho de 2015
terça-feira, 14 de julho de 2015
segunda-feira, 6 de julho de 2015
fim de semana parte II
depois de chegarmos de Setúbal, despedi-me da SV com um até já.
4 horas de sono foi tudo aquilo de que dispusemos para iniciar uma nova etapa. Às 6h30 já nos cumprimentavamos com um Bom dia! A nós juntou-se outro colega de equipa AC e seguimos rumo, desta feita para Mação. Há um ano tinha participado no primeiro evento do Trail das Zagaias e resolvi desafiar a SV a repetir o "passeio" comigo. Mais uma experiência daquelas a juntar às agradáveis surpresas que não me importo de repetir. A introdução da prova do dia anterior fez com que tivéssemos decidido trocar o trail grande pelo pequeno. Sendo que não estávamos muito certas desta decisão, conspirávamos prós e contras das hipóteses em aberto.
À semelhança da Lousã ao entrar em Mação senti a agradável sensação de já conhecer alguns cantos à casa, pelo menos aqueles que nos conduzem ao ponto de encontro dos atletas e do melhor sitio para estacionar o carro. Fomos levantar os dorsais e conspirar mais um pouco na prova que queríamos fazer. Na verdade queríamos os 30km mas a incerteza do calor e algum cansaço acumulado do dia anterior fazia-nos pensar que o melhor seriam os 17km. No entanto a SV esperava que eu dissesse as palavras mágicas: Bora lá à grande mas eu contive-me muito e joguei pelo seguro, pelos 17km que garantiam uma chegada menos massacrada pelo tempo de prova. O ambiente era caseiro, os atletas poucos e algumas caras já conhecidas. Partimos a subir pela estrada de alcatrão e entretanto virámos para dentro das tão desejadas serras. Como já é nosso apanágio aproveitamos para falar desta vida e do que nos move ou moveu. Bem marcado o percurso permitiu-nos seguir em segurança no trajecto que era suposto. Houve um engano, tudo porque achamos por bem saltar um obstáculo, que na verdade estava ali para nos impedir de continuar em frente, mais obstáculo menos obstáculo, já ninguém liga, o espírito é superar...
O calor foi bem menos do que esperavamos, o que para mim foi óptimo porque me permite apreciar bem melhor o tempo que por ali ando, mesmo que agora um pouco a toque de caixa da SV, que quer ir sempre a rolar e eu a querer levantar os olhos do chão para aquilo que ali me leva, a paisagem. Não sei fazer as duas coisas ao mesmo tempo depressa e bem. Percursos de vegetação diversa, entre pinhais e eucaliptais, estradões e desvios para singletracks e a passagem mais esperada, a da ribeira. Repeti a prova mas não a maior parte dos caminhos e desta foi a vez da ribeira do Quadouro, mais uma daquelas onde creio estarem elfos escondidos para observar o nosso encantamento em molhar os pés e caminhar dentro de água. Os elfos não combinam com o campo de girassóis mas este combina bem com tudo o que ali queremos levar na memória. A passagem por uma aldeia à hora da saída da missa deu direito a audiência e saudações bem vindas de almas cujos os olhos sorriem de ver gente doida (nós...).
Na aproximação à meta os meus pés começaram a ressentir-se e dei a opção pela pequena distância por ganha. Chegamos a tempo de termos energia para nos rirmos e seguirmos descontraídas para o banho que antecedia o já esperado almoço.
O almoço, no sitio do costume, superou as expectativas do costume e igualou aquilo a que uma vez já me tinha acostumado. A simpatia de quem serve e a qualidade do que serve. Entradas, sopa, prato e sobremesa bem bons e a descontraída entrega de prémios a dar a festa por terminada. Palmas para os outros e para nós que nos estavamos a divertir desde que ali chegámos.
Na hora de regressar a casa ainda mergulhamos mais um pouco na paisagem, de uma placa que nos havia de desviar para o caminho certo de um dia super bem passado!
Foi bom o feedback positivo da SV, nada como partilhar um bom dia com uma boa amiga, com um nível de loucura semelhante ao nosso ;)
Parece que ficamos com o 4º e 5º lugar e se desta não trouxe nem chouriços nem cacareco, trouxe um prémio com que não contava na passagem pela ribeira. Um banho ganho a custo de uma escorregadela que me fez cair de frente na agua. O susto de segundos converteu-se em risada e roupa fresca no regresso ao estradão.
Das marcas boas que ficam até as das silvas nas pernas me parecem bem enquadradas...
Trail das Zagaias
Tempo 02:34:08
Classific:ção geral: 23ª/31 (se fosse ha uns anos o que eu acharia graça a esta classificação...)
Classificação classe feminina:
Classificação de divertimento: 5*
Trail das Zagaias
Tempo 02:34:08
Classific:ção geral: 23ª/31 (se fosse ha uns anos o que eu acharia graça a esta classificação...)
Classificação classe feminina:
Classificação de divertimento: 5*
domingo, 5 de julho de 2015
Para este fim de semana estava programada uma loucura em que me meti logo na segunda feira.
o DS. insistiu até ao fechar as inscrições para uma prova, que o acompanhassemos. Eu, com aquela teimosia que não me conhecem lá fui dizendo que não queria e contra-argumentei tudo e mais alguma coisa, até o contra o coitado do choco-frito. Entretanto negociava com amiga SV esta programação inesperada num fds que já contava com a intenção de realizar um trail de 30km. No ultimo minuto tivemos a ideia luminosa de tentar fazer as duas coisas e dizemos-lhe que sim.
Sábado - 21h00 - 10km da Marginal do Rio Azul - Setúbal
Domingo - 08h30 - 17km do Trail das Zagaias - Mação
fim de semana parte I
O sábado de manhã acordou como gosto dele, um conciliador, entre o tempo de que preciso e a morosidade das tarefas.
Preparei a mochila grande com tudo o que necessitaria para o dia seguinte, a pequena com o essencial para a noite de sábado, e as demais tarefas de colocar alguma ordem na vida e na casa. Foi no tempo certo que saí de casa para me juntar aos amigos e seguirmos para Setúbal, a SV, o DS e PR entre risos conversas várias, expectativas muitas e queixumes diversos a desculpar eventualidades. Eu estava caminho de fazer uma coisa a que não ligo muito, sair para longe para correr 10km de estrada. Esperava alguma coisa e não esperava nada, pelo menos o que todos desejam, fazer um pouco melhor, "mas isto nunca se sabe" e no meu caso é sempre uma surpresa...
Entre ir levantar dorsais e encontrar o amigo que foi ao nosso encontro só para ver, mais uns dedos de conversa até nos chegarmos à partida. Ao sinal, arranquei à velocidade a que me sinto bem mas que não dura muito. Segui sozinha e cheia de calor. As rectas intermináveis já me cansavam mais do que a corrida. Digo adeus ao DS e à PR, que já vinham na volta do correio. Chego aos 5km, o ponto de retorno, cheia de sede valendo-me uma garrafa de água onde molhei a boca e deitei o resto por mim abaixo. Perante o novo estado de espírito temporário, passo a SV, aceno e falo já com algum alento. Sigo a gerir as rectas, os atletas que ainda me ultrapassavam enquanto me dizia: "dá o teu melhor que tão depressa não te metes noutra". Dizia-me mas não fazia muito caso, estava novamente demasiado indisposta para me dar ouvidos. Chegou a recta da meta e com ela aquela risca no chão que tão bem sabe atravessar. Encontrar os amigos e procurar pela SV para um ultimo reforço, foi desta vez a missão cumprida. A PR sabia ter sido a 4ª das mulheres e havendo troféu até à 10ª esperamos para que o recebesse. Entretanto especulavasse se eu não estaria também dentro desta classificação e eu inclinava-me mais para fora. Depois de ser chamada a 10ª, chamaram pelo nome e eu devo ter feito a mesma cara dos vencedores dos óscares, tinha ficado em 9º. Vivi assim o meu momento de glória ao subir para junto do pódio, onde fiquei até chegar a 1ª e ser-me dado o meu "cacareco". Que momento mais inesperado e bom. As vezes que eu disse que não queria estar ali, o que passei durante e prova e como lá de cima, enquanto observava quem nos batia palmas, pensava no braço que dei a torcer para estar ali e na ignorância que acompanhou a minha prestação numa prova que queria despachar. Havia um prémio ironicamente guardado para tudo isto!
Depois das fotos da praxe e porque aquela noite só podia durar ao limite de quem tinha o objectivo de acordar às 6h00 da manhã do dia seguinte, fomos a reabastecer calorias para longe o choco frito com que havíamos de ter comemorado. Em 4 amigos tínhamos alcançado 2 cararecos, a alegria da SV com o seu novo recorde pessoal e o amuo do DS com o seu estoiro. Agradecer a todos pela bela companhia e amizade e ao HR ter-nos aturado a euforia do antes e do após corrida, em que falamos incansavelmente do mesmo, corridas e tempos e por aí...
Agradecer também à policia municipal de Setúbal que mesmo não ajudando com indicações exactas, ajuda a dar outras risadas...
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