segunda-feira, 8 de dezembro de 2014






a poucos dias de fazer 1 ano chegou o dia de voltar ao tão esperado Trail dos Casais da S.. As mãos geladas que conduziram o volante do carro ao destino contrastavam com o sol radioso e quentinho que o dia prometia. "Está um dia espetacular" era o que os meus olhos me diziam. Já poucos lugares haviam onde estacionar, a festa estava a começar. Entramos para o pátio e para a casa com um à vontade tão grande só justificável pela certeza de sermos bem recebidos. Ainda cá fora reparei que já estava entreaberta a porta da casa da alquimia vínica e licorosa do pai da S. Pensei: "Já?!!" e foi a sorrir que entrei... no pátio, claro! Entre um café das velhas e umas fatias de bolinho para reforçar as calorias ansiosas por serem gastas, aguardamos pelos que faltavam, incluindo os que se dispuseram a sair da cidade a correr para a Casa C. Uma especie de aquecimento com 17 km. Foi o tempo de os deixar recuperar o fôlego e lá nos ajeitamos para a fotografia da praxe. Depois começou o trail com tudo a correr por ali abaixo. Nos primeiros quilómetros ficamos dispersos o suficiente para que a distração com a paisagem e com a companhia não nos permitisse aperceber que nos perdemos durante 1,5 km sem fitas. Voltamos para trás e para variar nestas coisas parece que o regresso é sempre a subir.... Encontrado o ponto certo de viragem seguimos de forma mais coesa para que dos perdidos não ficasse mais nenhum para trás e havias fortes possibilidades de sermos os últimos. O percurso estava bem marcado, pelo que dali para a frente já não houve mais desatenções e entre conversas lá fomos trilhando caminho pelos Casais da Charneca. Fomos a um ritmo confortável para quem como eu, gosta de ir a desfrutar da paisagem, revendo vistas conhecidas e descobrindo novas passagens. Soube bem o abastecimento junto ao tanque de água natural, é o enquadramento perfeito para matar a sede e comer uma laranjinha. Depois da travessia do "paraíso", onde a natureza se encarregou de criar um microclima de frescura e um ambiente inspirador às histórias de elfos regressamos aos cabeços e ao moinho onde a vista não corta respiração mas aumenta os tempos entre inspiração e expiração para encher o pulmões de coragem a sair dali.
A partir dali já não faltava muito para acabar os 16km e confesso que até estava com pena... para o ano S. bota mais quilómetros nisso ;)! O grupo Lost (SB, JA, PB, JC e moi) continuou ainda no sobe e desce do relevo e quase a chegar houve uma baixa feminina provocada por dores do oficio que não tardou a ser resgatada para onde a festa nos esperava. Não me lembro se já cheirava a carne assada quando entrei, mas o salame de chocolate não escapou à minha passagem na mesa dos bolos. Depois fui mudar para a roupinha confortável, que este ano já fui prevenida para o frio-que-vem-com-a-noite-e-que-não-queremos-que-nos-tire-a-vontade-de-estar-presentes. Comecei a almoçarada pela bela da sopinha, passei para o arroz de feijão e carnita pouca que os doces chamam por mim e a mouse de lima soube a pouco ;). Ainda não estaria nem a meio da digestão quando me aproximei do carrinho dos licores, o famoso, não para beber mas para esclarecer com o pai da S. o que era suposto fazer a seguir com os que tenho em infusão há quase um ano. Duvidas tiradas lá bebi o preferido de Casca de Noz e depois fui à prova dos abafados na casa mágica com a hospitalidade de quem tem gosto em partilhar e eu coragem para me conter! Uma vez a esta porta aberta passamos para a fase seguinte de provas, de cantigas e de reconhecimento a quem tão bem nos recebe. As horas voaram e o pôr-do-sol levaria todos novamente para junto do assador... 

Obrigada novamente à família C. (pai, mãe e filha) por nos proporcionar mais este trail convívio com sabor a Natal e Família... as lágrimas não são só nos vossos olhos ;)
Até para o ano!!


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014



comentou que sempre ouviu dizer que quando se entra numa igreja pela primeira vez devemos pedir três desejos/graças. Eu lembrei-me logo da quantidade que igrejas que visitei em Roma, quantos desejos desperdiçados. Ou  não. Bem vistas as coisas, cada uma delas deu forma a um desejo que levou tão pouco tempo a ser realizado, que a falta de luta para o alcançar quase lhe tira estatuto de sonho. Depois dei-me conta que, se da primeira vez fui à cidade das igrejas, da segunda fui à cidade das mesquitas, e quem sabe não valeria também cada uma das que visitei mais uns desejos e novamente foram tantos os ficaram por pedir mas algum proveito devo ter tirado da energia que encontrei em cada uma, acreditando que boa energia atrai mais boa energia.
e hoje pouco depois de todos estes pensamentos, sob o tecto do Santuário dos Senhor dos Milagres formalizei então os meus três desejos...

                            *                *               *


domingo, 30 de novembro de 2014



uma bolota na mão, um par de ténis sujos de lama nos pés e a alma lavada para o resto da semana.
não deixo de me surpreender mesmo às portas de casa. as linhas de água (trilhos) são como as linhas da mão, há sempre mais uma que ainda não conhecemos.


sábado, 29 de novembro de 2014



como a noite amanhece, qualquer santo enlouquece... 
(do poema Espaço impossível do Tiago Bettencourt)


e eu fui fotossintetizar para a subida que está cortada ao trânsito, aproveitar o oxigénio a plenos pulmões entre outras liberdades da vida...




sexta-feira, 28 de novembro de 2014

quarta-feira, 26 de novembro de 2014





pouco antes da hora do almoço eis que ele chega, o farnel, pela mão do pai, que foi levá-lo a minha casa ainda quentinho, acabadinho de cozinhar... apesar de eu não ser aquele bom garfo, nem uma grande apreciadora de comida, soube bem, só coisinhas boas, feitas do jeito que lhe é característico, com aquele aspecto e sabor que se reconhece no tempo...




ainda do fim-de-semana

- Ah, já estávamos à sua espera... e já tem ali a sua mesa guardada.

pode ser este um momento alto na vida de uma pessoa, a bibliotecária não só sabia que era eu que estava para chegar, como sabia qual a minha mesa favorita... e guardou-ma...


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

domingo, 23 de novembro de 2014



três dias, chamei-os de atípicos, rir, chorar, correr, e pensar muito, e dizer muito pouco do melhor que sinto... deixar serenar, não para esquecer, mas porque a distancia clarifica vou esperar para ver...








Ontem vi a Alice... mas podia começar dizendo que "há poucos dias lembrei-me da Alice".
A Alice é daquelas pessoas que fazem parte da nossa vida por um longo tempo e depois deixamos de ver e sobre as quais não fazemos a minima ideia do que aconteceu. E quando nos lembramos delas tudo o que temos são boas recordações. A Alice era a senhora da livraria/papelaria onde comprei a mala para a escola primária, a mala para a preparatória e a mala do inicio da secundária, onde mandava guardar os livros escolares, onde comprava o papel para os forrar, os cadernos, os dossiers e as canetas, onde eram comprados os brinquedos de Natal. Onde eu passava horas agachada a olhar para as vitrines e a sonhar. Onde descia o degrau para o patamar inferior e  fixava o colorido das lombadas dos livros ou as caixas de jogos em cartão. Onde todos os anos admirava a montra das barriguitas e não morria de amores pela boneca Darling com os seus pés chatos. Onde na arrecadação havia um canto de uma prateleira de ferro que tinha uma etiqueta que dizia "Rosa" e onde se guardava aquilo que levaríamos mais tarde, .... como as prendas de natal, as dos outros e as minhas, aquelas que eu escolhia e depois ficavam lá à minha espera até eu as puder abrir na noite em que se transformavam nos meus meninos Jesus... onde um dia, arrojadamente, decidi comprar o estojo das canetas, que ainda trago comigo, com 600$00 do meu mealheiro. A Alice, que era amiga da cliente, da minha mãe, e que me emprestou a máquina fotográfica para levar à viagem da República Checa e logo depois à viagem de finalistas a Albufeira do 12º ano. A Alice da Livraria/Papelaria Progresso que fechou há muito e sobre quem eu nunca mais falei e não tinha a quem perguntar. Se há dias me perguntava o que seria feito dela, ontem vi-a a poucos metros de onde passamos tantas horas juntas e num impulso dirigi-me a ela e disse-lhe: Olá..., não me está a conhecer?...


sábado, 22 de novembro de 2014



ao minuto 1:51 lá vou eu e a VF para que ninguém tenha dúvidas!! nem nós!!

como se diz: BRUTAL...


quinta-feira, 20 de novembro de 2014



para desligar: primeiro é o borne positivo (+) e depois o negativo (-)
quando for para ligar: é o inverso, primeiro o negativo (-) e depois o positivo (+)
nunca se sabe quando é que precisamos de trocar uma bateria. Agora estou convencida que já não me esqueço mas amanhã quando me levantar provavelmente já vou ter umas dúvidas e depois de amanhã já terei esquecido e qualquer uma das versões, me parecerá lógica. Se formos a ver bem nem têm lógica nenhuma, pois na verdade o negativo devia era andar sempre desligado. Em todo o caso, pelo menos para ligar, manda que seja o positivo em ultimo e isso de alguma forma deixa-me com esperança...


segunda-feira, 17 de novembro de 2014



... e não sou eu que digo que quando saio de casa para correr "eu vou e quando regresso a casa o meu mundo está mais descomplicado"...?


sou. e hoje ao final da noite o que me fez mesmo falta foi sair para correr, porque às vezes, por pouco tempo que seja, podem-nos fazer esquecer dos nossos propósitos, ao ponto de nem nos lembrarmos que os temos, mas se não fui "salva" pela corrida, nem pelo desabafo, fui novamente resgatada para aquela que quero que seja a minha verdade por estas palavras descomplicadas . muito bom!!




começar a semana a plantar amores-perfeitos e a escutar esta  

é de deixar uma rapariga assim:



quinta-feira, 13 de novembro de 2014





Chuva no mar

Coisas transformam-se em mim,
É como chuva no mar,
Se desmancha assim em
Ondas a me atravessar,
Um corpo sopro no ar
Com um nome p’ra chamar,
É só alguém batizar,
Nome p’ra chamar de
Nuvem, vidraça, varal,
Asa, desejo, quintal,
O horizonte lá longe,
Tudo o que o olho alcançar
E o que ninguém escutar,
Te invade sem parar,
Te transforma sem ninguém notar,
Frases, vozes, cores,
Ondas, frequências, sinais,
O mundo é grande demais.

Coisas transformam-se em mim,
Por todo o mundo é assim.
Isso nunca vai ter fim.



terça-feira, 11 de novembro de 2014


a falta de foto resolveu-se com 3 minutos no paint

não resisti à abstinência imposta e corri...
corri do carro mal estacionado para a carripana azul das castanhas e depois foi a loucura... com um cartucho de meia-dúzia de castanhas, voltei a correr da carripana para o meu carro, totalizando uns 90 metros. Entro no carro a rir, de tamanha ousadia, pondo logo carro a trabalhar ligo o rádio em simultâneo... e qual a musica que estava a passar?! A "Morena", essa que me fez companhia durante a maratona... sorri mais um pouco e é claro que saí dali a cantar e a carregar no pedal para ver se as castanhas chegavam quentinhas a casa da avó Maria. Chegaram mornas, mas aqueceram mais o coração do que chá de limão que bebemos para acompanhar e do que o calor da lenha que ardia na lareira.


domingo, 9 de novembro de 2014




Maratona do Porto, a aventura da primeira maratona...
Assisti a algumas na televisão, confortavelmente sentada, mas desta, foi a minha vez de calçar os ténis e sair de casa para correr uma maratona, a Maratona do Porto.
Algures no início do ano ouvi os SNR falarem desta maratona e senti vontade de arriscar. A primeira motivação foi por ser no Porto, esta minha genética “scalabinhota” é de corpo e alma e fazia todo o sentido estrear-me numa maratona no norte, mais do que em qualquer outra parte do mundo.
Depois também gostei da data de realização da prova, prometia-me tempo moderado a fresco e isso seria ingrediente essencial para correr com satisfação, (é para qualquer que seja a distância).
Houve ainda mais argumentos pessoais que me motivaram e reforçaram o desejo de participar. Estavam as minhas ideias em banho-maria, de lume muito brando, quando do nada, a V.F., me lança o desafio “Ana não te queres inscrever na maratona do Porto… para irmos as duas?”, “Quero” pensei eu, mas “Aaah, não sei…” foi o que respondi. Durante duas ou três semanas insistiu e eu continuei “Aaah, não sei… mas tu achas?”. Na verdade eu queria, mas tinha dúvidas se seria capaz. Em 97 convidei umas amigas para correr junto à escola G. M. na tentativa de encontrar alguém que gostasse de correr para me fazer companhia, já que tinha vergonha de andar de fato de treino na rua. Desse grupo, 3 eram mais rápidas mas depressa se sentaram à espera que eu e outra parássemos de andar ali às voltas. Por fim concluí que eu não tinha velocidade mas tinha resistência. E depois deste episódio foi sempre o que tive e tenho em mente de cada vez que saio para correr. Por desconfiar que seria capaz de resistir a 42km, um dia informei a V.F. que já tinha a inscrição feita. Confesso que na mesma manhã em que o B. publicou no FB a primeira lista de inscritos para a prova sublinhando a minha inscrição, estava a equacionar desistir para trocar pelo trail da Serra de Arga, mas os comentários de incentivo fizeram-me retroceder e no inicio de Julho iniciaram-se os treinos. 
A palavra “treino” com o respectivo significado desportivo estava banida do meu vocabulário e teve os seus dias de glória nestes últimos tempos. Se estava longe da meta, mais longe estava de pensar em tudo o que se passou ao longo destes meses. Foi escolhido um plano de treinos e posto em prática (com os respectivos ajustes). A nós juntou-se também o Gentleman D.S.. Entre os três, foram sempre pacíficas, quer as combinações, quer as alterações de última hora. Cada cabeça sua sentença, mas foi sempre com desportivismo que acabámos por ceder para que todos ficassem bem e os nossos objectivos cumpridos. Podem não ter sido treinos técnicos e específicos mas a verdade é que estávamos todos sintonizados na vontade de concluir uma maratona e de o fazermos com uma postura responsável e ao mesmo tempo descontraída. Havia que cumprir o básico para preparar o corpo, colocar km nas pernas, fazer séries, rampas e escadas para complementar. Para a semana ficou o sortido e para o fim-de-semana o treino longo. Aos nossos treinos juntaram-se muitos outros amigos das corridas, que fizeram com que estes dias não se tornassem monótonos e chatos. Para mim foi tudo um desafio, a começar nas séries, das quais não aprendi a gostar, cansam-me muito e fico com vontade de ir correr depois, só para descontrair do stress que me causam! Já umas rampas, são capazes de me fazerem sair de casa com mais vontade e quanto às escadas o sentimento é uma coisa que se fica pelo “gosto assim-assim”. Depois de experimentar tudo isto e dos primeiros treinos longos (progressivos até aos primeiros 21/22km de estrada), fui assaltada pelas dores. Dores nos pés, nas pernas, nos músculos, nos tendões, eu sei lá, uma catadupa de me dar dores de cabeça, simbolicamente falando (felizmente). Foi assim que passei a ter uns bibelots novos cá em casa, foram eles, uma ligadura elástica, uma embalagem de pomada anti-inflamatória, uma bolsa de gel frio e celofane, o típico kit de emergência de prevenir lesões. Às vezes tinha dores novas de dois em dois dias e queixava-me sempre “Ai, doí-me aqui e acolá e …” outras vezes não me doía nada, como depois do primeiro treino longo de 30km. Tive muitas vezes as minhas “dores do costume” mas no dia da prova nem sombra das mesmas :). Quanto a comprimidos só tomei 6 anti-inflamatórios, 3 para tirar dores de um torcicolo que fiz ao lavar os dentes (numa manhã antes de sair de casa para um treino) e 3 na semana antes da prova, para tentar tirar uma dor insistente na sola dos pés. O fast-recovery no final dos treinos longos ajudou a contrariar a fraqueza provocada pelos mesmos. 
Foi nos treinos longos que concentrei mais as minhas expectativas e confiança para a minha prestação na maratona. O meu agradecimento ao R.S. (esteve no primeiro c/ o D.S 18km), à P. (por todos os que fez connosco e pelo de 26km só comigo) ao D.S (por todos em que esteve presente, e em particular pelos de 33km e 31km que fez só comigo), um agradecimento especial (com muitos km) à V.F (por todos, a maioria, que fizemos juntas) e a todos os SNR que numa ou outra ocasião também estiveram presentes sem esquecer o centro de estágio  da tapada, e os maratonistas experientes com os seus concelhos e incentivos. Basicamente foram 4 meses a correr atrás da V.F. que aquela mulher é nonstop, às vezes, quando eu ia mais em esforço só pensava que no dia 2 de Novembro não teria de correr mais atrás dela :P. 
Entretanto constatei que o meu principal progresso não se dava nas pernas mas nos pulmões, pois dei por mim a correr e a conversar desalmadamente. Finalmente conseguia fazer as duas coisas ao mesmo tempo, o que me tornou uma corredora muito mais sociável, com a devida excepção para subidas e rectas da meta. Somei uns mui modestos 1340km (aprox.) em quatro meses de treino.
Finalmente chegou a véspera do dia da corrida e em boa companhia e disposição seguimos para o Porto. Na viagem senti que ia para o verdadeiro desconhecido e a ignorância permitiu-me assim um estado de tranquilidade um pouco estranha. Depois do check-in no hotel e de colocar logo algumas coisas a jeito para a manhã seguinte ainda ingeri mais uns hidratos de carbono para as reservas energéticas. Aliás, há dias que vinha a ingerir bananas e batata-doce em doses extra. À noite fomos até ao mercado da ribeira para jantar e nos juntarmos aos restantes elementos da equipa e enquanto uns se empanturravam nas massas, eu àquela hora eu já não consegui meter nada no estomago. À noite adormeci à conversa com a minha colega de quarto a A.D., que não sendo da minha equipa, também ia fazer a sua 2ª maratona e tinha grande expectactivas em relação ao tempo de prova. Já a mim, o que me preocupava mais era o tempo climatérico, o ideal seria sem chuva e sem calor. Ela colocou o relógio a despertar um pouco mais cedo do que era necessário e aproveitando despachei-me e desci para tomar o pequeno-almoço que eu própria levei, pois queria a segurança psicológica que me dava comer o que estava habituada. E não fomos as primeiras a chegar. A sala de refeições estava cheia de outros atletas já semi-equipados que enchiam o tabuleiro de mais alimentos energéticos. Com um ou outro cruzei aquele olhar de cumplicidade com um sorriso à mistura de “ai, ai, o que nos espera…”. Subimos e lamentei não ter levado um livrito para justificar o tempo que passei na casa de banho à espera…. Convém uma pessoa sair de casa já despachada de tudo. Antes de descermos à hora combinada, houve aquele momento de frio na barriga e de revisão. Tinha o corpo, a roupa, os ténis, o dorsal, o cinto com os boiões de isotónico e o mp3 com a única música que iria a tocar em modo repeat (60 vezes). Durante os treinos as músicas tinham sido outras, umas que me mantinham com estado de espírito desperto. Para a maratona decidi-me por uma que já tinha levado para uma prova onde tinha feito um bom tempo, e como se diz “em equipa que ganha não se mexe” e a escolha recaiu na “Morena” do Tiago Bettencourt e se a morena não corre para ele quando a chama, é porque ele não está a chamar pela morena certa, pois eu cá farto-me de correr e se ele me aparecesse à frente era morena para parar, logo agora que tenho este bronze de um verão a correr de calções ;p. À porta do hotel estava um taxi para levar 8 bem-dispostos para a prova e foi a “estontejar” que fomos sempre na risota. Chegados ao local de partida e de mais uma visita à casa de banho de um tasco, tirámos as fotos de grupo da praxe com os que estavam presentes. Além dos 16 que iam à maratona haviam outros que iam fazer os 17km da family race. A armada de SNR no Porto era grande mas naquela manhã estavam dispersos por ali, até porque íamos partir de grelhas diferentes consoante os tempos que esperávamos fazer. Ainda fomos uma ultima vez para a fila da casa de banho de uma estação de serviço, onde eu e muitos dos presentes nos podemos rir com os disparates que a V.F. dizia em forma de enxurrada, os nervos devem lhe dar para aquilo e nós agradecemos!! Depois do último xixizinho eu, a V.F. e o D.S. posicionamo-nos atrás do pacemaker dos balões das 3:45. Ali encostadinhos uns aos outros para contrariar o frio que se fazia sentir (eu de manga cava, calções e cabelos ao vento) dei por mim a observar os atletas à nossa volta, como um casal de franceses na casa dos 60 anos :) e outros que olhavam sorridentes e até a piscar o olho como quem nos deseja boa sorte. Às tantas ligo o mp3 e a V.F. cumprimenta-me a mim e ao D.S. e desejando-nos boa sorte. Naquele momento, como agora, senti as lagrimas a correrem. Senti a pressão de todos os dias que treinei para estar ali, a satisfação de estar com dois amigos que me tinham acompanhado e incentivado e com os quais passei muito tempo. A pressão que aquele momento era o princípio do fim daqueles 4 meses e que a partir dali estava por minha conta e risco. Começaria a correr e só dali a 42,195km, em aproximadamente 4 horas é que pararia. Dos mais experientes ouvi que o momento mais emocionante era a chegada mas tinha dificuldade em imaginar algo mais emocionante do que a partida. E foi com lágrimas a serem contidas e um nó na garganta que dei os primeiros passinhos de bebé após o sinal de partida, olhando para os meus amigos e desejando-nos o melhor. 
Depois de uma ligeira descida viria a primeira subida e era um mar de corredores para a frente e a para trás. “que loucos somos” pensei. Tinha um apetrecho extra, um relógio emprestado por uma amiga das corridas (S.V.) que me mostrava a velocidade instantânea. Foi a primeira fez que usei relógio e reconheço que para uma prova daquela distância ajuda bastante na gestão do tempo/esforço tornando-a muito mais consciente. Desta forma controlei a velocidade junto dos meus amigos não nos deixando disparar atrás daquela enxurrada e esgotando as nossas energia de forma prematura. Ainda assim corríamos acima do esperado porque nos estávamos a sentir todos bem. Ao km 10 o D.S. despediu-se de mim e da V.F. com um aperto de mão e continuou num passo mais alargado. Entretanto nós mantivemos o ritmo e não nos faltava companhia pois eram muitos os atletas em prova e de diferentes nacionalidades, algumas vezes senti que tanta gente atrapalhava um pouco o andamento, pois tínhamos de procurar espacinhos para puder ultrapassar. A caminho de Matozinhos num dos retornos, eu que acho que ficar a ver quem passa me faz distrair e abrandar, desta vez qual quê, com a V.F. ao comando e a vontade de ver caras conhecidas tive que compatibilizar as coisas e dar ao chinelo. Foi com grande satisfação que quer eu, quer ela procuramos sempre ver um dos nossos para dar uma força. De certa forma também nos ajudava a nós. Digam lá que não nos viram quase sempre bem-dispostas. Cheguei a comentar com a V.F. que quem fosse atrás de nós devia pensar que fomos para ali só para dizer adeus, tantos eram os SNR´s em prova. Até dançamos o vira e tudo (olha V.F. se isto não era para contar… já fostes). O último que procurávamos era o nosso D.S. e certificarmo-nos que ele ia a todo o gás. A verdade é que iam sempre todos com uma carita de sofrimento empenhados em despachar aquilo o mais depressa possível. Recordo-me de entrar na foz do Douro e aquela paisagem de praia, mar e ondas merecer mais um jogging para a apreciar do que o ritmo a que seguíamos, contudo havia que continuar. Nos abastecimentos de 5 em 5km nunca parámos, a V.F. ia buscar 2 garrafas de água, uma para ela, outra para mim e entre as duas lá nos ajudávamos para beber e reabastecer com os nossos isotónicos. Percorrendo as margens do rio Douro comecei a sentir alguma quebra psicológica pois nunca mais avistava a ponte D. Luís I que havíamos de atravessar. Quando finalmente a avistei, não tardaria a fazer aquela dolorosa subida da zona ribeirinha que a antecede. A mais de meio da ponte, senti-me um pouco estranha e disse “Ai V. que não me estou a sentir bem…” e à pergunta do que estava a sentir, respondi que sentia como se o corpo tivesse a levitar e que me estava a passar uma coisa pela vista, seria a ponte a mexer, a dita "parede" ou o homem da marreta?! Temi os dois ultimos mas a V.F. mandou-me fixar o chão e assim que saímos da ponte aquilo passou-me. Essa parte do percurso também era um retorno e seguíamos no mesmo jogo de tentar ver os outros SNR e dar-lhe uma força. Depois do nosso próprio retorno a V.F. arranjou outra motivação para nos distrairmos e colocar as minhas perninhas, que estavam a ficar preguiçosas, a mexer. Veio o momento cerelac, “papar” o da t-shirt cor de… , a da saia não-se-o-quê, o Tom Sawyer e por aí a fora,  enfim tentar “papar”  atletas o máximo possível, para subir lugares e ter incentivo para andar mais depressa, ora agora escolhes tu, ora agora escolho eu, e na aproximação, …3, 2, 1 GLUP já está, NEEEXT!! Quase que parei com vontade de rir!! Com isto, não só ultrapassamos os alvos, como muitos outros ao longo destes últimos km, os mesmos em que eu ia a sofrer, pois não conseguia que as pernas andassem mais depressa. Quando forçava doíam-me de tal maneira que temia ter de parar de repente. Mas a V.F. lá seguia “Bora Ana…” “Esquece as dores…” “Bora Ana…” “não te dói nada…”…parecia um disco riscado… disse-lhe que seguisse mais depressa e ela: “olha, chama-me nomes mas… MEXE AS PERNAS…” Não tive vontade de lhe bater, nem a mandei à m£&%$@ em pensamento como sugeriu, mas só porque estava fazer contas de cabeça :), a suportar as dores :( e a ver os minutos a passar no relógio :o… e continuávamos a ultrapassar atletas, uns a correr, outros já a caminhar. Faltavam 2km tive um pico de energia que foi sol de pouca dura e quando devia faltar 1km encontro na rotunda o meu amigo das viagens, o R., que não só me incentivou como me acompanhou durante uns metros (tinha feito a family race 17km). Nem dei pelo início da última subida, foi muito boa surpresa apesar de eu não ter falado muito (logo agora que eu já sei fazer as duas coisas ao mesmo tempo). Aquela subida parecia que nunca mais acabava. Perguntei (à do costume) se o final era no pórtico laranja ao que ela respondeu que sim, mas era mentira, aquilo afinal era uma passagem para outra dimensão a dos 0,195 km. A partir dali não vi nada, apenas ouvi, gritos de incentivo, palmas, pessoas a bater nas baias e depois de atravessarmos, finalmente, a meta ao mesmo tempo foi o silêncio, a dor e a satisfação de ver no cronómetro que tínhamos alcançado aquilo que desejávamos fazer, chegar antes das 4 horas e com um sorriso na cara.
Missão cumprida e comprida. Cheguei empenada à meta mas com energia para ainda cumprimentar os amigos que nos esperavam e que nos levariam para o nosso hotel, onde tomaríamos o desejado banhinho revigorante, ligar ao pai, à avó e a mais alguém a contar que já estava feita. Depois aconteceu tudo de forma rápida e não tardaria a juntar-me aos restantes SNR para um convívio na Mealhada. Às 21h entrava novamente em casa e aí sim voltei a ter a real noção do que conseguimos… 3h56
Conseguimos Vanda Fernandes!!!
Conseguimos acabar e chegar antes das 3h59. A V.F. se me tivesse deixado para trás teria feito um melhor tempo e eu um pior, assim ficámos ali no meio-termo. Consegui o mais importante, esta experiencia na prova a duas. Foi formidável quer pela gestão de esforço físico quer pelo companheirismo que vou recordar sempre com um sorriso, porque me correu bem desde o dia em que me inscrevi! Sorrir do início ao fim da prova, ter mais vontade de chorar no início e ao recordar o mesmo, como o ponto alto destes 4 meses, talvez por ser o derradeiro princípio do fim desta jornada sobre a qual pairava a grande incógnita da concretização. Pensar que na meta não contaria com aquela cara que vibraria de coração com a minha chegada mas saber que estaria a olhar por mim e a ver-me fazer o melhor que sei. Só pedi que me acompanhasse. E porque a história se repete, estivemos as duas acompanhadas da mesma forma. Fazer uma coisa com a qual nem sequer sonhava, e afirmar que o faço na “desportiva”. 42,195km na “desportiva”… se é na desportiva será que não me chega a voltinha e 7/8 km que fiz durante muitos anos?! Claro que chega, para a cabeça é o melhor remédio, enquanto vou e venho o mundo descomplica-se, é por isso que agora depois de acabar de escrever este texto gostava de ir ali “deixar cair o pé” que é no fundo o meu maior objectivo, a primeira corrida a partir de casa depois da maratona, mas não posso. Um dia depois da prova estava optima, dois dias depois caiu sobre mim aquilo a que clinicamente o médico chamou de overuse, neste caso, da sola dos pés. Doem-me em particular a do pé esquerdo. Agora há que descansar mais uns dias e retomar recuperada para voltar a uma das coisas que mais gosto de fazer.


Obrigada Vanda FERNANDES por tudo! ;)

Geral: 2275º de 4042
Escalão: 32
Fem:



sábado, 8 de novembro de 2014



sábado de manhã...


finalmente a descansar da maratona e principalmente da semana cansativa a seguir à maratona. Descanso natural e descanso induzido por anti-inflamatório (para aliviar a dor que entretanto apareceu num dos pés...) e a escrever o meu resumo da prova.


domingo, 2 de novembro de 2014


Maratona do Porto
concluída com sucesso!!




post agendado para as 9H00 de domingo
lá vamos nós depois de 4 meses a treinar...

Força para nós e para toda a armada SNR!!


sexta-feira, 31 de outubro de 2014




segundo pequeno almoço de hoje

"Sou feliz porque percebi que a felicidade é acima de tudo uma atitude na vida. Sobretudo, uma atitude de honestidade, gratidão e humildade." de José Micard


quinta-feira, 30 de outubro de 2014



estou nerbosa e bou ali correr a pisar obos só para descontrair e certificar-me que ainda sei colocar um pé à frente do outro...


segunda-feira, 27 de outubro de 2014




e com a mudança da hora sinto falta da claridade. Em casa. E no que isso se reflete em mim.
As noites tardias chegam-me para apreciar o seu encanto. E estes dias curtos encurtam-me a energia que me traz a luz do dia...
e à luz do dia.


domingo, 26 de outubro de 2014





esta semana trouxe da grande metrópole (e não da ruralidade!) 2 figos-da-índia. Têm um sabor muito suave e uma consistência que me agrada. Agora quando for andar de bicicleta e passar pelo grande cacto vou olhá-lo menos curiosa mas a vontade de ir lá apanhar um fruto (ou mais) vai manter-se ;).

de Lisboa e a 2 minutos de apanhar/perder o comboio trouxe também um elogio do senhor da bilheteira. Apesar da minha pressa quis saber a minha idade e eu meio atrapalhada respondi sem perceber o propósito da pergunta. Ele efetivando o pagamento, informou-me que pensou que eu ainda tivesse direito a um desconto que é até aos 25 anos... disse que me dava menos... com isto, deu-me outro fôlego para correr até à carruagem.


sábado, 25 de outubro de 2014



um graffiti à sexta (com um dia de atraso)
na parede da casa (antigo ginásio da casa do benfica) 
onde durante anos fiz ginástica rítmica




sábado de manhã...
acordar "rés-vés Campo de Ourique" para ir correr. comer de pé, papa nestum e banana e abacate e beterraba, tudo reduzido a puré para não ter de mastigar... agora que faço a retrospectiva, reparo que o meu discernimento não estava lá grande coisa... para fazer a distância mais longa da semana que aí vem (15 km), e tendo em conta que para mim o primeiro dia da semana é o domingo...


quarta-feira, 22 de outubro de 2014




ontem de manhã fui tirar sangue para análises de rotina e ao contrário dos outros dias tive de sair de casa sem tomar o pequeno-almoço. Quando saí do laboratório, à semelhança de outras vezes no passado, saio com aquela sensação de que mereço um pequeno-almoço reforçado, imaginando logo que vou refastelar-me numa pastelaria qualquer. Desta vez não era uma qualquer mas aquela onde podia encontrar o meu "arrepiado" favorito. Estava a apetecer-me um copo de leite com chocolate, mas os copos em que são servidos sabem-me sempre a pouco, habituada que estou às canecas generosas cá de casa. É como beber chá fora de casa, acostumada a doses industriais, quando num café me vêm com aquela chavezinha e o bulzinho a dividir para dois, quase me dá vontade de chorar. Perante a vitrine de bolos e na ausência do meu preferido, tudo me parecia muito vistoso mas nada que me fizesse antever um momento de deleite, decidi-me então a levar para casa um pão de cereais e um pão doce (pombinha). Depois passei pelo minimercado para comprar um pacote de leite e segui directamente para casa. Com a calma que transmite uma manhã que se promete soalheira preparei tudo e dispus sobre a mesa. A maior parte das vezes tomo o pequeno-almoço de pé ou enquanto faço outra coisa. Sentei-me perante a minha caneca gigante de leite com chocolate e do meu pão com cereais barrado com banana esmagada, não me apeteceu queijo, nem doce de cereja nem de figo, nem de abobora, nem de tomate, apeteceu-me banana esmagada. Levantei-me para abrir um pouco mais a janela e apreciar do meu terceiro andar dois passarinhos a brincar na árvore. Levantei-me uma vez mais para arrumar tudo e sair da cozinha agradecida pelo privilégio de um amanhecer assim...


segunda-feira, 20 de outubro de 2014




lúcia-lima acabadinha de secar que a avó me deu "um pão por deus" ou "bolinhos" antecipado

para aquecer nos dias frios. Sabem-me bem estes dias em que vou resgatar algumas peças de roupa mais fresca. E amanhã será que vou vestir aquele cachecol quentinho?! Não vale a pena brigar com o S. Pedro. Tudo fosse assim tão fácil de resolver e aceitar.


sexta-feira, 17 de outubro de 2014



um graffiti à sexta
na parede da igreja (ai se o padre sabe!!)


segunda-feira, 13 de outubro de 2014



hoje foi um dia daqueles, "corre" p'aqui, "corre" p'ali e até para ir correr no verdadeiro sentido da expressão tive de "correr". Quando comecei efectivamente a correr nem estava bem em mim e nem consciente que daquele grupo de 5 pessoas, eu o gentleman DS tínhamos 30km para fazer, pois os restantes 3 amigos só nos acompanhariam na primeira volta (11km). E nesta volta fui caladinha todo o caminho, a pensar no que ainda faltava, nas condições atmosféricas instáveis e a especular sobre alguma dor. Depois de nos termos despedido dos 3 e mais 2 que entretanto se juntaram a nós, seguimos para outra volta (11km). E eis que se revela a minha boa forma, não pelo desempenho das pernas mas pela minha capacidade de conversar praticamente todo o percurso, blá, blá, blá e nisto já estávamos outra vez no ponto de partida. Para desanuviar decidimos fazer a ultima volta ao contrário e suprimir 2 partes do trajecto para terminarmos com 31km. E eu? Blá, blá, blá... No final o DS diz-me "hoje estou mais cansado e vou aqui com umas dores e tu?" "Ah hoje sinto-me bem... (claro que cansada mas bem)", e ele "Nota-se que tás bem, já viste que até vieste a falar todo o caminho, estás muito bem!!...". Corre uma gaja 31km para ouvir um elogio destes!! 
Na verdade penso que este tem sido o meu grande progresso com os treinos, conseguir falar enquanto corro. A minha vida de corredora promete uma atitude mais sociável doravante...






quando por fim dei uma vista de olhos para garantir que não me esquecia de nada, vi esta caída junto de mim. Perguntei, por instinto, se a podia trazer. É simbólico daquela que trago sempre comigo, a Rosa, a minha Rosa, a minha mãe...

Boa semana...


domingo, 12 de outubro de 2014



em descanso parcial, os neurónios permanecem com os níveis de actividade alta e os braços e as mãos também, os primeiros exercitam-se em estudo, os segundos na arte de assoar-me...
(tenho de averiguar a possibilidade de tornar-me accionista de uma fábrica de lenços de papel)


sábado, 11 de outubro de 2014


imagem daqui

Dizer "não" antes de me perguntarem, "não" depois de perguntarem e insistir no "não" apesar da contra-argumentação e outras pressões que tais. Nem sempre me mantenho tão irredutível, sinto-me cada vez mais livre de voltar atrás, se assim o entender, de repensar de mudar de opinião, sempre que essa atitude revele ser aquela que me leve a aprender e descobrir mais (e o melhor) de mim. O "não" foi o que me permitiu tudo isso reafirmando aquilo que quero ser, para lá daquilo em que me queriam tornar...



sexta-feira, 10 de outubro de 2014

domingo, 5 de outubro de 2014




A minha primeira meia maratona oficial - Rock ‘n’ Roll Vodafone Meia Maratona RTP 2014. O despertador tocou às 6h, muito embora eu andasse para ali a rebolar há já algum tempo. Levantei-me, equipei-me e tomei o pequeno almoço reforçado (nestum, aveia e meia banana). Agarrei na mochila e sai de casa a tempo de ver chegar a minha boleia AN, fomos seguidamente buscar o veterano AB, mais outro amigo e seguimos para Lisboa, onde já o reboliço era imenso junto do Parque das Nações. O gentleman DS não tardaria a juntar-se a nós e lá nos encaminhamos para os autocarros que nos levariam até à ponte Vasco da Gama. Uma vez lá a minha unica preocupação eram as casas de banho. Sim porque com o nervoso a vontade dá de cinco em cinco minutos. Mesmo junto à partida conseguimos reunir a maior parte dos elementos da equipa que estavam em prova. De repente começa tudo a correr, nem tive tempo para sentir aquele frio na barriga do aviso de partida. Fiquei para trás, os demais vi-os desaparecer num ápice, já para não falar na quantidade massiva de pessoas que me ultrapassavam. Não tive bem noção da velocidade até se juntar a mim novamente um amigo que me disse que já havíamos feito 3km. "O quê, já?!" resolvemos abrandar, pelo sim pelo não, pois seria impensável chegar ao final em condições com a velocidade a que devíamos ir, entretanto ele volta a abalar e mais à frente, alcanço um outro amigo da equipa JL, tinha sofrido um pequeno estoiro e estava recompor-se, seguimos juntos com ele a controlar a velocidade, nem mais, nem menos. Senti-me muito bem durante esse tempo, íamos a um ritmo que era confortável e bom para mim. O JL foi como um "anjo" a balizar-me mas entretanto aos 13 km preveniu-me que teria de parar para fazer uma pequena necessidade fisiológica e eu ponderei seriamente esperar por ele, estava mesmo a sentir-me bastante segura na sua companhia, contudo também não havia compromisso de seguirmos juntos, pelo que o avisei que seguiria devagarinho junto à esquerda para que tentasse alcançar-me. E assim fiz, durante um bom tempo olhei muitas vezes para outros corredores que se aproximavam mais de mim, na esperança de ser finalmente ele, mas não aconteceu. Entretanto aos 15km a minha preocupação era "eliminar" mulheres. Sendo que eu também era eliminada, ao menos ir tentando manter o meu lugar. Independentemente de ultrapassar outras, fixei 2 moças que iam ao meu ritmo e vai daí comecei a aventurar-me na ambição de as deixar para trás. Até parece mal, mas uma pessoa tem que ir buscar argumentos a qualquer lado para continuar a mexer as pernas. Seguindo eu nesta árdua tarefa, pois tinha ali adversárias à minha altura, sou interpelada por corredor que se colocando ao meu lado me oferece uma garrafa de água, isto depois de uma passagem num abastecimento. Aceitei porque estava a precisar de lavar as mãos que estavam peganhentas. Por fim agradeci-lhe o gesto, ao que me respondeu sorrindo "De nada, eu é que lhe agradeço pois tem vindo a ser o meu ponto referência ao longo da corrida!". Opá quase que me caíram as lágrimas, um calmeirão daqueles a dizer que eu era o "anjo" dele, como o JL havia sido o meu. Muito bom mesmo, esta corrida já valeu por isto e pelo gesto daquele homem que além de me oferecer água ainda admite que uma cananoxa como eu consegue ser referência para alguém. Seguiu a meu lado aproximadamente durante mais 1km e eu sempre na peugada de uma das moças, já que outra tinha ficado para trás no tal abastecimento de água. Avisou-me que só faltavam 2km e começou a puxar por mim "Bora, bora". Mas ele meteu uma mudança demasiado alta e fiquei a vê-lo afastar-se enquanto continuava concentrada na moça da t-shirt preta que me faltava ultrapassar. Quando finalmente estoiro com ela, passa por mim a outra (da meias cor de rosa) que tinha ficado para trás, qual fénix renascida das cinzas a toda a velocidade, desisti dela e preocupei-me com outras e outros na recta da meta. Dei ao slide, e pensei "aguenta, aguenta, aguenta" e lá transpus o tão desejado final. Esta corrida teve 4 momentos, a partida, a companhia do JL, a perseguição ás moças e o corredor que puxou por mim. Cheguei cansada e até com uma dorzita na perna devido ao aceleramento nos ultimos 8km mas não estoirei. O tempo também esteve a meu favor, quando estava sol tive a sombra das arvores, e quando estava mais exposta o tempo estava encoberto, até o ventinho me ia refrescando. Levei o cinto com 600ml de água com isotônico distribuídos por 2 garrafas que no final ainda tinham água, isto diz muito das condições favoráveis em que fiz a corrida. O reencontro com todos no final, uns mais sorridentes e satisfeitos outros nem tanto mas todos bem é sempre reconfortante. Regressei a casa feliz com a minha prestação e com mais esta experiencia de uma meia maratona que mais foi uma louca montanha russa de emoções. 

Geral: 1702 em 5735

sábado, 4 de outubro de 2014



sábado de manhã...
Pão com chouriço logo ao pequeno almoço?
Enquanto o padeiro (que eu não vi!!) o colocava no forno, fazia eu o balanço final da minha sexta-feira, revia momentos e os pensamentos a eles associados. Revi onde consegui ser o que queria e onde fiquei à aquém deixando estes últimos numa espécie de stand-by do processador para logo que seja possível não repetir essa mesma noção que tive de mim. Posto isto, apaguei a luz do candeeiro sem marcar horas no despertador e mergulhei a cabeça na almofada, parecendo-me ela uma nuvem, na qual, já estava em modo de flutuação. Nesse exacto momento, toca o som de mensagem no telemóvel, comentário para lá, comentário para cá e acabei por ser desafiada a comer pão com chouriço acabadinho de sair do forno... Eu não disse "Sim, quero!" (se o tivesse feito seria mais um momento onde fui o que queria) mas disse "não sei" e ri-me muito e "pode ser" ("pode ser?!" que raio de resposta é esta, vai já para o stand-by que-é-uma-andada). Do outro lado o amigo depreendeu que aquilo tudo era um sim e não tardou a aparecer com os pães com chouriço ainda quentinhos, tão quentinhos que até as fatias de queijo flamengo que acrescentou ao dele fundiram. Continuei a rir, de certo até mais para dentro do que por fora e resisti a comer só metade do meu e absorver mais de todo o resto. Soube a farnel nocturno (ainda sábado era uma criança), a surpresa insólita,  a riso e a um sorriso, ou seja, a mais momentos que não tardei a processar novamente, mas desta vez não terá demorado outra fornada...(Zzzzz!!). 

(chá de três anos e gengibre para o pequeno-almoço)


sexta-feira, 3 de outubro de 2014



um graffíti à sexta
(numa parede ali bem ao fundo da rua)


quinta-feira, 2 de outubro de 2014



neste caso, terão sido as palavras certas... porque a resposta veio
como eu quero
e agora vou deitar-me mais ou menos assim depois de um treino, um petisco e uma muito boa noticia...


Obrigada!!


quarta-feira, 1 de outubro de 2014



hoje no final da corrida/treino das 4ª feiras vai haver petisco, tudo porque numa prova houve quem ganhasse um presunto. Com o pretexto de consumir o dito, arranjaram logo festa onde cada um leva mais qualquer coisa: tremoços, cerveja, vinho, refrigerantes chouriços vários, salame, bolos, batatas fritas...

eu disse logo que ia ao evento, mas não disse o que vou levar...  e que passo a descrever: espetadas de tâmaras enroladas em bacon com quadrados de duas variedades de queijo (queijo flamengo e queijo curado de cabra) conforme fotografias: 


se por acaso estiverem a ver algo de diferente do que eu acabei de descrever, queiram consultar o vosso oftalmologista




encontrar as palavras certas para dizer que estou à espera, não no sentido de pressionar mas para ver se algo alivia esta ansiedade de quem espera o que quer.