quarta-feira, 25 de janeiro de 2012


it's. oh. so quiet…
ssshhhhhh... ssshhhhhh...


it's. oh. so still… 



you're all alone



and so peaceful until...



ssshhhhhh... ssshhhhhh...





série elipses 03_manta


brevemente disponível aqui aqui

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012



Um dia destes, antes de anoitecer , quando fui verificar se a janela do meu quarto estava bem fechada, espreitei o céu pelos buraquinhos do estore. Não estava à espera de ver nada. Quem é que nunca fez isto?!... ficar ali só uns instantes a espreitar o céu. Foi então que lá longe distingui aquilo que me pareceu ser um balão de ar quente. O primeiro impulso foi o de quer abrir a janela para ver melhor, mas depois tive receio de perdê-lo de vista por entre o topo dos prédios. Decidi ficar muito quietinha a observá-lo, acho que nem pestanejei e até que o tempo parou…
O balão aproximou-se, mas muito pouco, ainda assim o suficiente para eu conseguir ver que era de várias cores, cores-do-céu-depois-do-sol-posto. Dentro do cesto ia um … não sei como lhe chamar… deixa cá pensar… um… fazedor. Estava a esvaziar uma pequena saca, aliás muito mais pequena do que o volume que saía de dentro dela.
Depois o balão afastou-se, afastou-se… até que deixei de o avistar.

Acabara de ver o pequeno fazedor que todas as noites vem distribuir toooooooooodas as estrelas que vemos no céu… não acreditam?!


Ora vejam, …






















série elipses 02_balão

brevemente disponível aqui e aqui

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Era uma vez...




uma lua...





 uma montanha...





um barquinho...





 e uns peixinhos...



série elipses 01_montanha

brevemente disponível aqui e aqui

elipse
(narrativa/figura de estilo), na literatura, no cinema e em outras formas narrativas, ou na poesia (e na pintura, acrescento eu), refere-se a omissão intencional de códigos e/ou informações facilmente identificáveis pelo contexto, por elementos, códigos ou significados construídos por sucessões de imagens sequenciadas (in wikipédia)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012



Um dia depois do suposto ultimo post sobre tricot, a minha avó entregou-me um grande saco cheio de novelos e trabalhos por acabar da minha mãe. Daquelas coisas que as filhas à medida que vão deixando de ter espaço em casa pedem para as mães para guardarem lá num cantinho… e na casa da minha avó existem umas arcas grandes que sempre deram muito jeito para estes excedentes. No saco redescobri novelos de camisolas que foram minhas, trabalhos que eram para mim mas acabei por crescer mais depressa, e outros trabalhos de que não me recordo.

Entre estes últimos estavam 3 quadrados em crochet de lã branca que vieram mesmo a calhar, para eu fazer umas almofadas que estavam a fazer falta na minha cama… foi assim um presente das/e pelas mãos da minha mãe…



terça-feira, 3 de janeiro de 2012




E porque não há duas sem três, apesar já estar a ser preparada uma quarta, passo a registar a primeira peça a ficar concluída (e que para já ainda é minha). Sendo que, no mês de Novembro, inspirada nos acabamentos deste blog (cadernobranco) forrei a mantinha com polar para ficar mais quentinha e confortável.


E por agora deve ser o meu ultimo post sobre tricot, pois o quarto trabalho vai ser mais demorado, se não ficar pronto para este inverno não faz mal...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012


Uma semana antes do natal resolvi oferecer uma gola de malha. Parti novamente com três cores, as preferidas de quem a iria receber. Desta vez e porque as agulhas do número pretendido estão ocupadas com outro trabalho comprei umas circulares (porque não tinha nenhumas) do mesmo número.


Linha para lá… linha para cá… linhas para lá… linha para cá… carreira após carreira ….
Remate com três pompons e foi assim que ficou.

A gola foi para a irmã da S. e para a S., como já tinha o poncho anterior foi este o improviso.



domingo, 1 de janeiro de 2012


2012


Parece que se vira uma página na vida, e se noutros anos sabia bem mudar de ano, no de 2011 apetecia-me permanecer. Era como se o tempo parasse e eu ficasse sempre mais perto dos últimos momentos que passámos juntas.
Assim… já foi o ano passado.




Mãe, as minhas saudades permanecem incansáveis...



Desta vida que continua, continuarei a ocupá-la.





sábado, 31 de dezembro de 2011

Imediatamente a seguir à ausência da minha mãe e de toda uma rotina, que girava à sua volta, um não cessar da nossa atenção sobre ela e tudo o que a ela dizia respeito, impôs-se o vazio e o silêncio. Para amenizar o tempo “desocupado” fui buscar a sua caixa das agulhas de tricot e muito aquém do que ela sabia fazer resolvi ocupar-me com algo que me era mais familiar na perspectiva de observadora/utilizadora. Tenho presente na memoria todas as camisolas e casacos de cores e feitios engenhosos que a minha mãe me fez, para estrear nos dias especiais. Depois ficavam para vestir aos domingos, de vez em quando, levava para escola e quando estavam a deixar de servir vestia quando queria.
Tinha quatro novelos, três cores e uma “receita” tirada da net. Iniciei, tricotando em malha do avesso, uma terapia saltitando entre as três cores.
Da esquerda para a direita, vislumbram-se três fases diferentes: primeiro, manter a disciplina da rotina, segundo, adormecer na cadência dos gestos, terceiro a libertação do padronizado.
A conclusão do poncho coincidiu com o aniversário da amiga que esteve lá, antes de tudo, durante tudo, e depois de tudo, com palavras, amparo e paciência. Foi a ela que ofereci este relevo da alma.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O Natal chegou e já lá vai.









Ocupei-me de maneira que não tive de esperar por ele. Assim nos meandros das lembranças dos Natais passados e realizados pela minha mãe realizei ideias para não ter de esperar. Foi assim que dei inicio a um projecto pessoal na área da pintura. Há muito que as ideias vinham e iam, tomava notas, fazia esboços… e “gaveta”. Gaveta entre aspas porque ainda não há uma gaveta de verdade. Surgiram novas ideias (como aquele número do mágico que tira da cartola lenços presos por nós de diversas cores), depois maturaram até ao ponto em que começaram a passar do esboço para o material final dando origem a um produto que não me deixa mais realizada porque não o posso partilhar com a minha mãe. Olho para os desenhos, que englobam um conjunto de opções, e identifico-me com essa globalidade e não apenas com alguns pormenores. Deste projecto falarei mais tarde.
Inspirada neste blog (eraumavezaqui)surgiu a ideia de preparar, para oferecer no Natal, um miminho a quem este ano de 2011 esteve lá. No momento difícil ou de quem sem estar muito presente conseguiu usar das palavras certas para me restituir alguma esperança. Um miminho onde para alem dos 16 ingredientes + imaginação+carinho dispus da semente que a minha mãe me deixou para a doçaria. Mãos para que vos quero.
Enquanto fiz os bolinhos revisitei os utensílios de cozinha que só usei a quatro braços, memórias dos momentos em que me deixou ir ajudando a fazer bolinhos de coco (bolinhas de açúcar, ovo e coco servidos em forminhas de papel plissadas) até quando já só inspeccionava/controlava se eu não usava da imaginação na confecção das receitas e me extraviava do descrito nos vários livrinhos escritos à mão. Um dia destes enquanto os folheava para descobrir onde estavam as receitas dos bolos que costumávamos fazer, pois normalmente quando eu entrava em cena as pesagens dos ingredientes já estavam feitas (para evitar a tal imaginação ou a minha vontade de reduzir no açúcar), descobri que essas receitas se podem encontrar procurando por páginas com nódoas em vez de ler os títulos.
Para os bolinhos de Natal usei a imaginação e o nome surgiu depois de saírem do forno todos coladinhos…Remendados de chocolate

Um sortido de:
- dois remendados de chocolate com sabor a limão, dois remendados de chocolate com sabor a canela e pedacinhos de noz com um remendado de gengibre em cima(mais artístico) e dois remendados de chocolate com sabor a erva-doce (com espírito, diz o meu pai). No fundo um pedacinho de céu para pendurar na árvore de Natal, tudo dentro de uma caixinha de pasteleiro com imagem personalizada atada com um fio de .

Foi assim:

sábado, 5 de novembro de 2011


Um meteorito embateu na minha lua deixando uma cratera em forma de saudade….do relevo …ficou uma espécie de braille da dor.
Nunca parece ser o momento certo para escrever, apesar de continuar a não parecer, hoje, apetece-me escrever além de pensar. Os dias sucedem-se numa catadupa de emoções que oscilam numa frequência arrítmica. Entre-um-tanto caem sobre a minha cabeça, pingos de agua ecoando “..nunca mais…nunca mais…nunca mais…nunca mais…nunca”.
Nunca mais um beijo, nunca mais um abraço, nunca mais uma conversa, nunca mais um sorriso, nunca mais uma gargalhada, nunca mais uma troca de olhares, nunca mais um revirar de olhos, nunca mais apareces à entrada da sala, nunca mais te vejo ao fundo do corredor, nunca mais me acordas com jeitinho, nunca mais o conforto da tua presença mesmo que no silêncio… e se tu gostavas de falar, falar, falar …e eu às vezes mais de silêncio, nunca mais saber que estás mesmo que eu não saiba onde, nunca mais um “tão boniiiiita” antes de eu sair de casa, nunca mais tás injojada ou airosinhanunca mais a-minha-mãe.


Incansável. Questionava-me e nunca te perguntei como conseguias ser todos os dias incansável comigo que já sou graúda,…agora fervilham perguntas das quais nunca mais posso escutar as tuas respostas. Acredito que no desenrolar da vida, se atenta, as venha a descobrir.

Sempre pronta para seguir comigo. “Eu ainda sou mais maluca do que tu…”,dizias-me… querias ver, querias ir… e eu cada vez queria mais levar-te… integrar-te nos meus dias, despertar-te para o tanto que ainda tinhas para experienciar e ver o brilho do olhar da minha bonequinha. O meu envelhecer alertava-me para a importância do rejuvenescimento do teu ser e do teu estar.

Agora vou sozinha na certeza de que quando chegar a casa também já não me vou sentar na cadeira da cozinha a roubar-te espaço e atenção às lides domésticas e dessa feita ser eu a falar, falar, falar… e “mãii estás a ouvir-me?”

Agora…fico calada a abafar a ansiedade mecanizada de tempos que passaram há pouco.

Já devias estar a dormitar (passa pouco da meia-noite) quando não resisti a acordar-te para te mostrar este desenho, quem sabe se dentro de ti não se daria o milagre que tanto esperei e pedi. Conforme observavas só dizias "hhhaaan, hhhaan", “Então não dizes nada?”… “Tá tão liiindo”. No dia seguinte voltei a mostrar-te e pedi (dentro de mim supliquei-te desesperadamente):
- “Não me deixes cair
- “Não me deixes cair tu” respondeste-me …

A 4 de Maio de 2011 ficou de mim uma espécie de ser rendilhado, da qual todos os dias se desprendem pedacitos e assim será até ao resto da minha vida. Percebo que é importante reinventar-me a cada dia, para não sucumbir ao desejo de voltar a ver-te. E é importante agradecer…a quem ajuda a colar outros pedacitos, retalhos novos aos quais também eu tenho de acostumar-me.

Como quem olha para o céu a tentar descobrir formas nas nuvens, assim ando eu dentro e fora da cratera a descobrir que me revelam os relevos que na minha vida deixaste.

Mãe-que-só-há-uma a minha saudade permanece

Incansável




como o teu Amor



sexta-feira, 18 de junho de 2010



"Muitas vezes me perguntei: porquê este nome? Recordo-me de como o encontrei, percorrendo com um dedo minuncioso, linha a linha, as colunas de um vocabulário onomástico, à espera de um sinal de aceitação que haveria de começar na imagem decifrada pelos olhos para ir consumar-se, por ignoradas razões, numa parte adequadamente sensível do cérebro. Nunca, em toda a minha vida, nestes quantos milhares de dias e horas somados, me encontrara com o nome de Blimunda, nenhuma mulher em Portugal, que eu saiba, se chama assim"
José Saramago, in "Jornal de Letras", Lisboa, 15 de Maio de 1990, pág. 29.



pst josé saramago ...humm... se baltazar existe... baltazar sete-sóis procura-se... ;)homenagem ao homem que tinha os relógios da sua casa parados na hora em que conheceu a sua mulher...


ontem ...
uma mão cheia de "ameixas que enganam rapazes"...




hoje ...
"Uma mão cheia de amoras"

há dias assim... de mãos cheias de momentos mágicos encerrados num instante

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

sábado, 10 de outubro de 2009

principais intervenientes:
ele


e

ela





e cenas da vida doméstica...










quinta-feira, 3 de setembro de 2009