sábado, 21 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

terça-feira, 10 de junho de 2008

amor blue (de sueli costa)

Um gato de olhos azuis
Olhando a lua
E a lua inteira
Mirando a lagoa

Que nem nós dois
Amor Blue

Eu gosto de ver
Este brilho nos olhos de alguém
Parece uma luz
Um amor
Que nunca se apagou

Que nem nós dois
Amor Blue

terça-feira, 13 de maio de 2008



blackbird, versão de mário laginha e maria joão
poder ser escutada a aqui

Blackbird singing in the dead of night,

take these broken wings and learn to fly
All your life, you were only waiting for this moment to arise

Blackbird singing in the dead of night,

take these sunken eyes and learn to see
All your life, you were only waiting for this moment to be free

Black-bird fly
Black-bird fly, into the light of a dark black night

Black-bird fly
Black-bird fly, into the light of a dark black night

Blackbird singing in the dead of night,

take these broken wings and learn to fly
All your life, you were only waiting for this moment to arise
You were only waiting for this moment to arise
You were only waiting for this moment to arise

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Dia da Mãe - 2008 (mais vale tarde do que nunca...)







Dia do Pai - 2001


Dia do Pai - 2000


Dia do Pai - 1999


Dia do Pai - 1998


Dia do Pai - 1996


Dia do Pai - 1992


Dia do Pai - 1990


Dia do Pai - 1989


Dia do Pai - 1986


Dia do Pai - 1985 (apenas o desenho é da minha autoria)

domingo, 17 de fevereiro de 2008



Subi ao monte e virei-me de frente para ele. Abri os braços e fitei-o. Aproximou-se tímido, descobrindo-me o rosto com um toque que percorreu a linha do meu pescoço. Senti-o frio, agradavelmente frio. Não resisti a dar um passo em frente indo ao encontro da confiante energia que o tomava. Uma delicada e envolvente força, que não se inibiu de trespassar os poros da textura que me cobria. Senti-o frio, agradavelmente frio. Deixei-me embalar no seu vasto corpo que vagueava pelo meu. Permiti que me invadisse os pensamentos que levitaram à sua presença. Senti-o frio, agradavelmente frio. Apoderou-se de mim um desejo… mas sei que estava, como sempre está… de passagem, o agradável vento…

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008





cantiga de amor (de rádio macau)

preferias que cantasse noutro tom
que te pintasse o mundo de outra cor
que te pusesse aos pés um mundo bom
que te jurasse amor, eterno amor

querias que roubasse ao sete estrelo
a luz que te iluminasse o olhar
embalar-te nas ondas com desvelo
levar-te até a lua pra dançar

que a lua está longe e mesmo assim
dançar podemos sempre se quiseres
ou então se preferires fica aí
que ninguém há-de saber o que disseres

talvez até pudesse dar-te mais
que tudo o que tu possas desejar
não te debruces tanto que ainda cais
não sei se me estás a acompanhar

que a lua está longe e mesmo assim
dançar podemos sempre se quiseres
ou então se preferires fica aí
que ninguém há-de saber o que disseres

podía, se quisesses, explicar-te
sem pressa, tranquila devagar
e pondo, claro está modéstia à parte
uma ou duas coisas se calhar

que a lua está longe e mesmo assim
dançar podemos sempre se quiseres
ou então se preferires fica aí
que ninguém há-de saber o que disseres

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007



de josé luís gordo por cristina branco in ulisses

"Entrego ao vento os meus ais

Onde o desejo se mata
Sete desejos carnais
Que o meu desejo desata
Meus lábios estrelas da tarde
Sete crescentes de lua
Que o desejo não me guarde
Na vontade de ser tua
Quero ser
Eu sou assim
Sete pedaços de vento
Sete vozes no jardim
No jardim que eu própria invento
Sete ares de nostalgia
Sete perfumes diversos
Nos cristais da fantasia
Amante de amores dispersos
Sete gritos por gritar
Sete silêncios viver
Sete luas por brilhar
E um céu para me acontecer
Entrego ao vento os meus ais
Onde desejo se mata
Sete desejos carnais
Que o meu desejo desata
Meus lábios estrelas da tarde
Sete crescentes de lua
Que o desejo não me guarde na vontade de ser tua
Que o desejo não me guarde na vontade de ser tua
Que o desejo não me guarde na vontade de ser tua"

terça-feira, 6 de novembro de 2007






mais









igual a...






imagem típica de Ken Ga canal. perto de Ninh Binh, Vietname

domingo, 30 de setembro de 2007



"The sweetest little song" retocada

You go your way

I'll go your way too

By Leonard Cohen

sábado, 22 de setembro de 2007



à espera de cores...


Gosto das mulheres que envelhecem de nuno júdice


Gosto das
mulheres que envelhecem,
com a pressa das suas rugas, os cabelos caídos
pelos ombros negros do vestido,
o olhar que se perde na tristeza
dos reposteiros. Essas mulheres sentam-se
nos cantos das salas, olham para fora,
para o átrio que não vejo, de onde estou,
embora adivinhe aí a presença de
outras mulheres, sentadas em bancos
de madeira, folheando revistas
baratas. As mulheres que envelhecem
sentem que as olho, que admiro os seus gestos
lentos, que amo o trabalho subterrâneo
do tempo nos seus seios. Por isso esperam
que o dia corra nesta sala sem luz,
evitam sair para a rua, e dizem baixo,
por vezes, essa elegia que só os seus lábios
podem cantar.

terça-feira, 21 de agosto de 2007



escrevo. escrevo traços de um sentimento que quero desenhar
aperto. aperto letras com a mesma força de vontade de o dar
envolvo. envolvo palavras no desejo de assim ficar
contorno. contorno por frases que dois podem gravar

palavras, são letras abraçadas, com as quais desenho o quanto quero ...

abraçar-te

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

encosta-te a mim (de jorge palma) aqui

Encosta-te a mim
Encosta-te a mim, nós já vivemos cem mil anos
encosta-te a mim, talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim, dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou, deixa-me chegar.

Chegado da guerra, fiz tudo p´ra sobreviver
em nome da terra, no fundo p´ra te merecer
recebe-me bem, não desencantes os meus passos
faz de mim o teu herói, não quero adormecer.

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.

Encosta-te a mim, desatinamos tantas vezes
vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for.

Eu venho do nada porque arrasei o que não quis
em nome da estrada onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer.

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.

quarta-feira, 25 de julho de 2007



"- O mais importante, no que diz respeito à vida por estas bandas, é o facto de as pessoas se deixarem absorver pelas coisas.
- Absorver pelas coisas? Que quer isso dizer?
- Acontece o mesmo quando estás na floresta. Quando estás à chuva, tornas-te parte da chuva. Quando é manhã, tornas-te parte da manhã. Quando estás comigo, tornas-te parte de mim.
- E quando tu estás comigo, tornas-te parte integrante de mim?
- É a pura verdade.
- Qual é a sensação? Seres tu própria e parte de mim ao mesmo tempo?
Ela olha de frente para mim e toca no alfinete de cabelo.
- É um sentimento muito natural. Quando se está habituado, é muito simples. É como voar."


in "Kafka à beira-mar" de Haruki Murakami

sábado, 21 de julho de 2007




Olhei em volta e não vi ninguém. Aproximei-me. Voltei a olhar e nada. Estávamos sós e dei-lhe um abraço. Abracei-a… ou será que abracei-o? Se a abracei, foi ele que acolheu os meus braços. Eu, encostada a ele, na presença dela. Foi ela que eu vi primeiro, e a força que me transmite senti-a quando me aproximei dele.

Abracei, não sei se, a árvore ou o tronco?

quinta-feira, 19 de julho de 2007

segunda-feira, 16 de julho de 2007

domingo, 15 de julho de 2007



de josé luís peixoto

este livro. passa o dedo pela página sente o papel como se sentisses a pele do meu corpo, o meu rosto. este livro tem palavras. esquece as palavras por momentos. o que temos para dizer nao pode ser dito. sente o peso deste livro. o peso da minha mão sobre a tua. damos as mãos quando seguras este livro. não me perguntes quem sou. não me perguntes nada. eu não sei responder a todas as perguntas do mundo. pousa os lábios sobre a página. pousa os lábios sobre o papel. devegar muito devagar. vamos beijar-nos

sábado, 14 de julho de 2007

sexta-feira, 13 de julho de 2007




Recordo-me frequentemente do momento em que nos rimos juntos. Não te disse mas enquanto me ria senti vontade de chorar. Sentia-me feliz. Senti-te feliz. Hoje, quando me lembro continuo a ter vontade de chorar. Senti-me feliz e isso faz-me sorrir. Os segundos que se seguiram foram de silêncio. Um silêncio acompanhado de uma ausência de movimentos. Nada que denunciasse uma pergunta perdida em sucessivas sinapses. Não queria perguntas, queria apenas as respostas que me trazias no olhar, nos gestos, na voz, em tudo o que em ti falava mesmo que não pronunciasses uma palavra. Confiares-me o teu pensamento. Descansar em ti a minha vida nesse toque que nos ligava. Sentir a leveza com que nos sustentávamos. Gravei este momento, como sendo, de entre todos, o que mais quero que me pese.

quarta-feira, 4 de julho de 2007


uma bruxinha made by me to me

i feel pretty (musical "west side story") aqui
I feel pretty,
Oh, so pretty,
I feel pretty and witty and bright!
And I pity
Any girl who isn't me tonight.
I feel charming,
Oh, so charming
It's alarming how charming
I feel!
And so pretty
That I hardly can believe
I'm real.
See the pretty girl in that mirror there:
Who can that attractive girl be?
Such a pretty face,
Such a pretty dress,
Such a pretty smile,
Such a pretty me!
I feel stunning
And entrancing,
Feel like running and dancing for joy,
For I'm loved
By a pretty wonderful boy!

terça-feira, 3 de julho de 2007



quando bires o meu amor
dale um avraço
e um veijinho

um saco para o verão com motivos típicos dos lenços dos namorados e outros (2003)

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Por saber que nunca me esqueço, engulo a seco cada letra, e uma a uma desembocam contra as densas paredes que me revestem devolvendo num eco ininterrupto essa frase que escutei. Somente escutei, na certeza porém de a mim ser dirigida. De lá para cá “olha… não te esqueças de mim”, de cá não sai “olha… não te esqueças de mim… não te esqueças de mimnão te esqueças de mim…” Por saber que nunca me esqueço, não posso dizer que não percebo. Reconheço-o e a experiência alerta que reconhecer é a consciência que existe a possibilidade de abrir uma outra porta. Abrir ou não? Sabê-la e deixá-la fechada. Sim, às vezes, talvez mais do que “às vezes” possa transparecer. Abrir ou não? Sim. Não só saber que não me esqueço, mas demonstrar que me recordo é uma porta a abrir.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Vida: Olá

Eu: han?!…desculpa não te vi chegar!

Vida: Surpreendes-te como se eu não estivesse sempre presente?!

Eu: Esqueço-me de que não dormes!

Vida: A mim, também me agrada a madrugada…

Eu: …mas felizmente não tens sono

Vida: Que procuravas atrás de ti?

Eu: Certificar-me do que fica para trás.

Vida: Explica-me?

Eu: Nunca antes tinha tido uma percepção tão forte da presença das minhas costas. Nem nos momentos em que deixei, irremediavelmente, algo para trás. Entre consequências de opções e imposições, nunca antes o gesto de virar as costas foi tão sentido. É como se de repente elas ficassem muito maiores e sobre elas pesassem o meu próprio corpo. Como se caminhasse sobre elas, em vez pisar as pedras da calçada. Mesmo acreditando que o que fica para trás, ser-me-á devolvido por ti mais adiante…

Vida: Se te devolvo qual é o problema?

Eu: eu disse que acreditava, não disse que tinha a certeza que me devolverias…

Vida: Não chega acreditar?

Eu: Acreditar…é a minha vontade. A vontade de que esse peso que carrego, no revirar das costas, me seja devolvido aos braços…

Vida: E abraças?

Eu: Até agora, sim.

domingo, 17 de junho de 2007




Conto novas, conto velhas, conto-te um tudo e um nada de mim. Vou no tempo de um olhar que me promete que outros dias virão. E eles vêm, sempre novos, por vezes cheirando a velhos, a deja-vú enfastiado de sucessivas repetições. Os sorrisos são retalhos coloridos que por vezes colo, por vezes coso com a agulha e dedal. Sou uma manta de retalhos que enrolo a mim mesma. Conto novas, conto velhas, conto-te um tudo e um nada de mim. Estendo-me à vida levada na corrente de ar que me bafeja de feição. Mergulho leve nas águas frias e afundo-me pesada em lágrimas detidas. Conto novas, conto velhas, conto-te, de mim, o pouco que sei…

terça-feira, 5 de junho de 2007

Outros Sonhos (Chico Buarque e versos anônimos de uma antiga música chilena) aqui

Sonhei que o fogo gelou
Sonhei que a neve fervia
Sonhei que ela corava
Quando me via
Sonhei que ao meio-dia
Havia intenso luar
E o povo se embevecia
Se empetecava João
Se impiriquitava Maria
Doentes do coração
Dançavam na enfermaria
E a beleza não fenecia

Belo e sereno era o som
Que lá no morro se ouvia
Eu sei que o sonho era bom
Porque ela sorria
Até quando chovia
Guris inertes no chão
Falavam de astronomia
E me jurava o diabo
Que Deus existia
De mão em mão o ladrão
Relógios distribuía
E a polícia já não batia
De noite raiava o sol
Que todo mundo aplaudia
Maconha só se comprava
Na tabacaria
Drogas na drogaria
Um passarinho espanhol
Cantava esta melodia
E com sotaque esta letra
De sua autoria
Sonhei que o fogo gelou
Sonhei que a neve fervia
E por sonhar o impossível, ai
Sonhei que tu me querias


Soñé que el fuego heló
Soñé que la nieve ardia
Y por soñar lo impossible, ay, ay
Soñe que tu me querias.

quinta-feira, 31 de maio de 2007



quis fazer um desenho...
não tinha o cão...
resolvi caçar com o paint... :)

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Vida: Parece que estás com vontade de falar?

Eu: Queria falar muito, esgotar as palavras que trago retidas no pensamento. Um pensamento feito de palavras como o pântano de areias movediças, pelas quais escorregamos e nos detemos. Sozinhos sem volta. Esgotar-me até não sobrar uma única letra e disso não ter consciência. Deito-me hoje com esta vontade já batida, depois de redescobrir que um conjunto de circunstâncias mais reais na minha vida, me facilita o processo doloroso em que pode consistir acto de imaginar. Imaginar, como quem diz… vestir a pele de alguém…

sábado, 26 de maio de 2007

capitão romance (margarida pinto; ornatos violeta) aqui

não vou procurar quem espero
se o que quero é navegar
pelo tamanho das ondas
conto não voltar
parto rumo à primavera
que em meu fundo se escondeu
esqueço tudo do que sou capaz
hoje o mar sou eu

esperam-me ondas que persistem
nunca param de bater
esperam-me homens que desistem
antes de morrer
por querer mais que a vida
sou a sombra do que sou
e ao fim não toquei em nada
do que em mim tocou


eu vi...
mas não agarrei
eu vi...
mas não agarrei
eu vi...
mas não agarrei
eu vi...
mas não agarrei...

parto rumo à maravilha
rumo à dor que houver pra vir
se eu encontrar uma ilha
paro pra sentir
e dar sentido à viagem
pra sentir que eu sou capaz
se o meu peito diz coragem
volto a partir em paz

eu vi...
mas não agarrei
eu vi...
mas não agarrei
eu vi...
mas não agarrei
eu vi...
mas não agarrei

eu vi...
eu vi...
eu vi...
mas não agarrei…

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Primavera – A estrela diurna passa tangente ao verde que revela a paleta da mão natureza. Observo. Inspiro. O meu peito adsorve este espectro visível. Suplemento de que lentamente sacio todos os sentidos.

Verão – De olhos semi-cerrados procuro um tronco circunscrito pela sombra da densa folhagem em que me abrigo. Observo. Inspiro. Descubro pés de corpos que ainda na fase de pupa saem das suas crisálidas.

Outono – Caem a meus pés tapetes, estaladiços ao meu pisar. Observo. Inspiro. Rodopiam com o meu cabelo num movimento dessincronizado dessa massa de ar que, que tal como eu, não sabe para onde vai.

Inverno – Vapor aromatizado que num bailado helicoidal se liberta de dentro da minha caneca. Observo. Inspiro. A desordem provocada por um assopro decresce a entropia da poção mágica que aumentará a minha enquanto embatem gotas no vidro da minha janela.

segunda-feira, 7 de maio de 2007



"De repente senti uma profunda inveja das pessoas que viviam num mundo normal"

"E dou por mim a perguntar: onde é que está a lógica de tudo isto, se é que existe alguma coerência neste mundo?"

in "Crónica do Pássaro de Corda" de Hakuri Murakami

sábado, 5 de maio de 2007

Da Aurora Até o Luar
Arnaldo Antunes
Composição: Arnaldo Antunes / Dadi Carvalho


Quando você for dormir
Não se esqueça de lembrar
Tudo que aconteceu
Da aurora até o luar

Olho de janela
Nuvem de algodão
Pele de flanela
Sopa de vulcão
Borda de caneca
Bola de papel
Ferro na boneca
Lágrima de mel

Toda noite lembra o que aconteceu de dia
Sonha para o sono vir

Quando você for dormir
Quando você se deitar
Deixa o pensamento ir
Sem ter nunca que voltar

Música vermelha
Pássaro de flor
Chuva sobre a telha
Beijo de vapor
Riso no escuro
Lua de beber
Voz detrás do muro
Medo de morrer

Toda noite cria o que acontecerá de dia
Para o novo dia vir


“Hoje é um daqueles dias em que me apetecia voar”



“Hoje”… um agora que já devia ter sido e se agora ainda for não será tarde demais…


“é”… uma certeza de ser presente…


“um”… de poucos entre os muitos…


“daqueles”… já conhecidos…


“dias”… momentos ilimitados por ponteiros…


“que”… apresenta a razão da diferença…


“me”… o eu da razão de existir…


“apetecia”… um quer suspenso pela extinção da concretização…


“voar”… suavização para uma vontade de estar noutro sítio por um espírito que se quer elevar…


Abri a porta, estava escuro e pensei “Não consigo ver nada, está muito escuro”. Fui instintivamente com a mão ao interruptor mas não o encontrei. Às escuras, segui em frente, abri as janelas, deixei entrar o azul-escuro da noite e quando me virei já ele havia coberto as paredes revelando esquinas e contornos que me permitiam uma visão tridimensional e pensei “Quanto mais profundo mais escuro”. À medida que avancei o meu corpo escureceu e lá no fundo quando me virei vi no meu peito reflectido o mais escuro dos azuis e pensei “Am I feeling blue?”